OS DONS À LUZ DA BÍBLIA
INTRODUÇÃO
Os dons são um tema fascinante e
enriquecedor, que exige do estudante da Bíblia conhecimento relacionado às
regras de interpretação de texto, a fim de evitar distorções doutrinárias, já
que o assunto requer muito critério em sua abordagem, em função das controvérsias
que giram em torno dele. Podemos agrupar as várias interpretações relacionadas
à atualidade dos dons em duas correntes teológicas: a pentecostal e a tradicional
(reformada), sem desprezar a corrente neopentecostal, movimento surgido a
partir dos anos 1960, nos Estados Unidos, que reduz a manifestação do Espírito
Santo na Igreja, através dos dons, a meras reações positivistas daqueles que
buscam a bênção de Deus.
Outro grande desafio é enfrentar o
misticismo e o fanatismo presentes em algumas igrejas pentecostais em relação à
operação do Espírito Santo na atualidade. Muitos cristãos, posicionando-se como
servos especiais, se apropriam dos dons como se fossem propriedade particular e
os utilizam ao bel-prazer, desprezando completamente as regras bíblicas relacionadas
ao assunto. Isso tem criado uma grande teia de confusão no meio do povo de
Deus, abrindo espaço para o charlatanismo, o mercantilismo e outras práticas
espirituais que desagradam a Deus. O misticismo e o fanatismo têm trazido
consigo descrédito em relação à realidade e à atualidade da operação do
Espírito Santo. Lamentavelmente, essas duas distorções promovem a dúvida entre
o verdadeiro e o falso, entre o operar de Deus e o operar do homem.
Abordar um tema teológico de tão grande
importância nos impõe muita responsabilidade, critério e exige ousadia
espiritual para encarar de frente tudo o que há de falso sobre o assunto. Não
devemos esquecer que a responsabilidade traz consigo o privilégio, e isso nos
leva à gratidão a Deus por nos ter agraciado com seus dons, a fim de que
sejamos instrumentos de edificação e crescimento do povo de Deus. Dessa forma,
os servos do Senhor não se deixarão enganar, levados por qualquer corrente de
doutrina que surja com o propósito de desviar a Igreja de Cristo do rumo certo
e de privá-la do verdadeiro operar do Espírito Santo.
Os dons são uma realidade na atualidade,
da mesma forma que eram na Igreja Primitiva. O que nos falta é humildade e
disponibilidade para nos colocarmos diante de Deus apenas como instrumentos
para a glória do Seu Nome, sem buscarmos repartir com Ele o que Lhe é
exclusivo.
Os dons são dados à Igreja, não a
indivíduos em particular. O propósito deles é trazer ajuda, edificação e
aperfeiçoamento espiritual. O cristão agraciado por um dom deve sentir-se privilegiado
e agradecido, reconhecendo que o Senhor concede, não por méritos pessoais, mas
por sua graça e misericórdia.
Esperamos que este texto produza bênçãos
na vida de muitos servos de Deus e que os ajude a viver na plenitude do
Espírito, buscando intensamente a manifestação do Espírito Santo em suas vidas,
para que sejam instrumentos de Deus na edificação e no aperfeiçoamento dos
santos, bem como no crescimento e na expansão do Reino de Deus na terra.
Capítulo I - TRAZENDO À LUZ OS DONS
O termo dom vem do grego charisma
e significa uma dádiva recebida pela graça de Deus. Os dons são capacitações
espirituais concedidas por Deus aos homens, de forma imerecida, por meio da Sua
graça, com o propósito de prover recursos para a administração da Igreja, a
assistência social, a expansão da Sua obra na terra, o crescimento, o bem comum
e a edificação dos fiéis.
O único escritor bíblico que
sistematizou a doutrina dos dons foi o apóstolo Paulo. Há três passagens
bíblicas em que ele apresenta listas de dons. A primeira está em Romanos
12:4-8; a segunda em 1 Coríntios 12:1-30; e a terceira em Efésios 4:8-12.
Na primeira passagem, em Romanos
12:4-8, o apóstolo Paulo apresenta os dons de forma genérica, sem
classificá-los. Ele afirma:
“Assim
como cada um de nós tem um corpo com muitos membros, e esses membros não
exercem todos a mesma função, assim também em Cristo, nós, que somos muitos,
formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros. Temos
diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de
profetizar, use-o na proporção da sua fé. Se o seu dom é servir, sirva; se é
ensinar, ensine; se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua
generosamente; se é exercer liderança, que a exerça com zelo; se é mostrar misericórdia,
que o faça com alegria.”
Neste texto, Paulo descreve dons
como capacitações sobrenaturais para servir, que podem ser chamados de dons de diaconia (profetizar, servir, ensinar, dar ânimo,
contribuir, exercer liderança e mostrar misericórdia). Todo e qualquer
serviço realizado na obra do Senhor exige, além das habilidades humanas, uma
capacitação por meio da atuação do Espírito Santo na vida daqueles que são
alcançados pela graça (charis) de Deus. A Igreja só tem vida como
organismo se estiver completamente envolvida pela operação do Espírito Santo.
Considerando a importância e a
necessidade de a Igreja estar submissa, em tudo o que faz, à operação do
Espírito Santo, o apóstolo se preocupa em qualificar os dons, estabelecendo
grupos distintos. Assim, eles podem ser classificados em três categorias:
- Dons de serviço – capacitações
sobrenaturais para o serviço diaconal da Igreja (Romanos 12:6-8).
- Dons espirituais – capacitações
sobrenaturais visando ao bem comum da Igreja (1 Coríntios 12:1-10).
- Dons ministeriais – capacitações
sobrenaturais destinadas a preparar os santos para a obra do ministério, a
fim de que o corpo de Cristo seja edificado (Efésios 4:8-12).
Paulo enfatiza que há diferentes
tipos de dons, de ministérios e de formas de atuação, mas o Espírito é o mesmo
(1 Coríntios 12:4-6).
Capítulo II - AS DUAS PRINCIPAIS CORRENTES TEOLÓGICAS
No que concerne aos dons, há duas
principais correntes teológicas: o continuísmo
e o cessacionismo.
Entre elas existem divergências e convergências que precisam ser conhecidas, a
fim de que tenhamos um posicionamento claro e fundamentado na Bíblia, a Palavra
de Deus. É evidente que ambas defendem suas teses baseando-se em interpretações
de textos bíblicos ou em análises particulares.
Na teologia reformada, a discussão sobre os
dons concentra-se em dois pontos centrais:
- A natureza e a finalidade dos dons;
- A continuidade ou cessação de alguns dons.
No primeiro ponto há maior consenso; no
segundo, há divergência interna.
Todos os teólogos reformados (ou calvinistas) concordam que:
- Os dons são obra soberana do Espírito Santo, distribuídos como Ele quer (1 Coríntios 12:11);
- Sua finalidade é edificar a Igreja por meio do serviço mútuo e do testemunho de Cristo (Efésios 4:12; 1 Pedro 4:10);
- O amor é o dom mais importante (1 Coríntios 13);
- Eles devem ser exercidos com decência e ordem no culto (1 Coríntios 14:40).
Jonh Calvino, em sua obra Commentary on 1 Corinthians, afirmou: “Os dons espirituais são expressões da multiforme graça de Deus, e sua
diversidade reflete a beleza da obra do Espírito no corpo de Cristo.”
A maioria dos teólogos reformados
defende o cessacionismo.
Entre eles estão John MacArthur, B. B. Warfield e R. C. Sproul. Baseiam-se em 1
Coríntios 13:8-10, onde Paulo declara: “O
amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o
conhecimento passará”. Esses autores dão ênfase à suficiência das
Escrituras, afirmando que alguns dons — chamados “dons de sinais”, como
línguas, profecias, curas e operação de milagres — cessaram após a era
apostólica, uma vez que tinham a função de confirmar a revelação de Deus até o
fechamento do cânon sagrado. Ressaltam, contudo, que os demais dons permanecem
na Igreja.
Entretanto, dentro do movimento
reformado há também defensores do continuísmo.
Entre os principais estão Martyn Lloyd-Jones, Wayne Grudem, John Piper e Sam
Storms. Eles creem que todos os dons listados no Novo Testamento continuam em
vigor ainda hoje, baseando-se em Atos 2:17-18 e 1 Coríntios 14:1, defendendo
que todos devem ser exercidos com ordem e submissão à Palavra de Deus.
Como ponto de equilíbrio, muitos
reformados defendem que Deus continua realizando milagres, mas estes não têm a
mesma função normativa que possuíam na era apostólica. Assim, devemos buscar os
dons que promovem a edificação, sem cair no erro de negar ou desprezar a atual
obra do Espírito.
O teólogo Wayne Grudem, continuísta
reformado, afirma: “O perigo não é apenas
negar os dons, mas também usá-los sem amor e sem submissão à Escritura. O
equilíbrio é bíblico: buscar com zelo e exercer com discernimento.”
Entre os teólogos arminianos, a grande maioria
defende o continuísmo.
Eles afirmam que todos os dons permanecem presentes na Igreja e são essenciais
para a missão e santificação do povo de Deus. Nesse sentido, o Espírito Santo
coopera com os crentes, confirmando a mensagem do Evangelho (Marcos 16:17-18;
Atos 2:17-18). Afirmam ainda que Paulo incentivou a Igreja a buscar os dons
espirituais (1 Coríntios 14:1).
Os principais arminianos que defendem
essa posição foram John Wesley, William Pope e Richard Watson, além dos
arminianos pentecostais Donald Gee e Myer Pearlman, que estruturaram a teologia
pentecostal no século XX.
Os arminianos sustentam que o crente
deve buscar e exercer os dons, tomando cuidado para não negligenciá-los, a fim
de que não sejam apagados (1 Timóteo 4:14; 1 Tessalonicenses 5:19). Ressaltam
ainda que, sem vida santa, os dons são ineficazes (Hebreus 12:14), e devem ter
como foco o serviço, não o status espiritual, sem limitar a forma como o
Espírito Santo age (João 3:8).
A tese do continuísmo, na atualidade, é amplamente defendida pelas igrejas e
teólogos pentecostais e também por grande parte dos teólogos e igrejas
batistas. Entre eles estão John Piper, Sam Storms, Craig Keener,
Matt Chandler, Jack Deere e Wayne Grudem. Contudo,
é importante ressaltar que entre os batistas também há cessacionistas, como John MacArthur e Al Mohler.
Como estudante da Bíblia e pastor batista, posiciono-me
em defesa do continuísmo,
crendo que servimos a um Deus que prometeu estar conosco todos os dias até a
consumação dos séculos (Mateus 28:20), confirmando a mensagem do Evangelho
através de milagres e maravilhas (Marcos 16:17-18).
Todos os dons cabem e se aplicam à
Igreja de hoje, desde que sejam exercidos à luz do ensino da Palavra de Deus,
com decência e ordem (1 Coríntios 14:40), “porque
Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos”
(1 Coríntios 14:33).
Em minha caminhada cristã, tenho sido
testemunha da manifestação de todos os dons na Igreja, sendo eles exercidos de
acordo com o ensino do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12 a 14, trazendo bênção,
edificação e crescimento aos santos.
Capítulo III - DONS DE SERVIÇO
Baseando-nos em Romanos 12:6-8, podemos
afirmar que os dons de serviço (do grego diakoneo)
estão diretamente ligados ao serviço diaconal da Igreja, na esfera prática e
assistencial. Do termo diakoneo deriva-se a palavra “diácono”, na
língua portuguesa, que significa “aquele
que serve, que atende, que assiste, que ministra”.
Quando falamos de dons de serviço, não
estamos nos referindo ao ministério diaconal em si, mas a dons distribuídos
pelo Espírito Santo na Igreja com o propósito de capacitar os crentes a
servirem aos irmãos em suas necessidades assistenciais e espirituais (Atos
6:1-7).
Para facilitar a compreensão, vamos
definir resumidamente cada um dos dons de serviço:
Profetizar – como dom de diaconia, profetizar aqui
(grego prophēteuō) está relacionado a trazer edificação e
consolo com base na Palavra de Deus para aqueles que necessitam, e não a uma mensagem de origem
sobrenatural.
Servir – aquele que tem o dom de servir o faz
de modo singular, com alegria e graça. Há irmãos que se dedicam voluntariamente
e com desprendimento a servir aos demais e também à igreja como corpo, ajudando-os no que for necessário.
Ensinar – quem possui o dom de ensinar recebe
capacitação do Espírito Santo para apresentar temas importantes, muitas vezes
de difícil compreensão, com clareza e leveza, facilitando o entendimento. Esses
irmãos servem de modo especial na Escola Bíblica Dominical ou em qualquer
atividade de ensino da Igreja.
Dar ânimo – os que recebem este dom são
especialmente qualificados pelo Espírito Santo para consolar e fortalecer os
que estão tristes, enfermos, angustiados, decepcionados ou atribulados. Suas
palavras tornam-se um bálsamo para a alma ferida e cansada.
Contribuir – não se trata aqui de contribuição
financeira. O termo deriva do grego koinonia, que significa companheirismo,
comunhão, defesa do interesse comum. Há irmãos que são especialmente
vocacionados para promover unidade, fraternidade e companheirismo, buscando o
bem de todos acima de interesses particulares ou egoístas.
Exercer liderança – há pessoas que são naturalmente
reconhecidas como líderes. Na Igreja, o Espírito Santo capacita alguns para
conduzir o povo de Deus segundo a Sua vontade. Não se trata de liderança por
nomeação ou título eclesiástico, mas de uma liderança espontânea, reconhecida
pela comunidade.
Misericórdia – exercer a misericórdia requer
dependência de Deus, pois não é fácil ser misericordioso em um mundo egoísta e
materialista. Alguns irmãos são capacitados para se compadecer dos
necessitados, socorrer aflitos, chorar com os que choram e sentir a dor do
próximo como se fosse a sua própria.
Capítulo IV - OS DONS ESPIRITUAIS OU DE MANIFESTAÇÃO
Como já dissemos, os dons espirituais ou
de manifestação são capacitações sobrenaturais concedidas pelo Espírito Santo
com o objetivo de promover o bem comum da Igreja (1 Coríntios 12:7).
Paulo menciona como dons espirituais: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, fé, dons de curar, operação de milagres, profecia, discernimento de espíritos, variedade de línguas e interpretação de línguas (1 Coríntios 12:4-10).
Os dons espirituais podem ser classificados em três subgrupos: dons de saber; dons de poder e dons de expressão vocal.
Os
dons de saber são aqueles que atuam como os olhos espirituais da Igreja: palavra
de sabedoria, palavra de conhecimento e discernimento de espíritos. Os
dons de poder são os que atuam como as mãos espirituais da Igreja: fé,
dons de curar e poder para operar milagres. Os dons de expressão vocal
são como a boca espiritual da igreja: profecia, variedades de línguas e
interpretação de línguas.
Os
dons espirituais, repito, são dados à igreja com o propósito de promover o bem
comum. Eles não são propriedade particular de ninguém, nem é dado a alguém como
um privilégio. Aquele que recebe um dom, deve saber que foi alcançado pela
graça de Deus e que deve usá-los sempre envolvido pela operação do Espírito
Santo, sentindo-se um, dentre os vários membros do corpo místico de Cristo que
é a Igreja. Ninguém deve sentir-se maior ou melhor que os demais por possuir
este ou aquele dom. Paulo diz que o Espírito concede a cada um como quer e mostra
que como membro do corpo de Cristo não somos melhores nem piores, pelo
contrário, há a necessidade de que haja diversidade e sincronismo no
funcionamento de cada membro ou órgão para que o corpo seja perfeito, sadio.
Ele destaca também que
[...] o olho não pode dizer à mão: "Não preciso de você!" Nem a cabeça pode dizer aos pés: "Não preciso de vocês!" Ao contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis, e os membros que pensamos serem menos honrosos, tratamos com especial honra. E os membros que em nós são indecorosos são tratados com decoro especial, enquanto os que em nós são decorosos não precisam ser tratados de maneira especial (1 Coríntios 12: 21-24).
Os
dons não são concedidos ao acaso, Deus escolhe pessoas de acordo com a
capacidade de administrá-los, isto ficou evidente na parábola dos talentos.
"E também será como um homem que, ao
sair de viagem, chamou seus servos e confiou-lhes os seus bens.
Entretanto,
é importante sabermos que a capacitação natural não é o único requisito
observado pelo Senhor. A dependência de Deus e o desprendimento em servi-lo,
são mais importantes que as qualificações naturais e as adquiridas através do
processo de aprendizagem e convivência social. Paulo diz que o Espírito
distribui os dons como quer, de acordo com a vontade exclusiva de Deus (1
Coríntios 12:11).
Há
cristãos que se apossam dos dons como se fossem sua propriedade ou privilégio.
Eles tentam exercitá-los buscando satisfazer os seus próprios interesses. Este
é um erro grave e que tem causado muitos males à Igreja. Os dons devem ser
usados com muita sabedoria e não com criancice, considerando que Deus não é de
confusão e sim de paz (1 Coríntios 14:33). O Todo Poderoso não se deixa
manipular.
Ao
falar de dons espirituais Paulo apresenta nove dons (1 Coríntios
12:4-10). Alguns destes dons são desconhecidos pela maioria dos cristãos. Não é
comum nas igrejas falar de dons que, aparentemente, não têm destaque social. O
conhecimento do que seja cada dom e o seu propósito na Igreja ajudará a aqueles
que desejam servir a Deus com maior comprometimento a buscarem os dons com
maior segurança e propósito. É com este
objetivo que apresentamos uma breve definição para cada um destes dons:
Palavra de Conhecimento – concede compreensão sobrenatural dos mistérios de Deus, sendo uma força especial para o ministério de ensino (Efésios 3:3-19).
Fé – trata-se de uma fé especial e sobrenatural, que ultrapassa a confiança comum em Deus, manifestando-se em momentos críticos com certeza plena de vitória (Marcos 11:22-23).
Dons de curar – poder sobrenatural concedido por Deus para curar enfermidades, sempre de acordo com a vontade divina e visando edificação da Igreja e a manifestação do poder de Deus (Atos 3:6-8; Marcos 16:20).
Operação de milagres – manifestações que vão além das leis naturais, como ressurreições e eventos extraordinários que põem em xeque as leis naturais e vão além da compreensão racional, evidenciando o poder ilimitado de Deus (Atos 9:36-41; Atos 13:9-11).
Discernimento de espíritos – capacidade de identificar a origem das manifestações espirituais, distinguindo se procedem de Deus, do homem ou do maligno (Atos 5:1-11; Apocalipse 2:20).
Variedade de línguas – dom concedido para transmitir mensagens em línguas espirituais ou desconhecidas pelo falante, devendo ser acompanhado de interpretação para edificação da Igreja (1 Coríntios 14:27-28).
Interpretação de línguas – atua em conjunto com o dom de línguas, permitindo que a mensagem seja compreendida pela Igreja, tendo o mesmo valor da profecia. A interpretação pode ser por ação direta do Espírito Santo na vida do intérprete ou pelo conhecimento da língua que está sendo falada (1 Coríntios 14:5).
Profecia – mensagem de Deus transmitida por intermédio humano para edificação, consolação, encorajamento ou revelação futura. Deve ser julgada pela Igreja, pois pode ter origem divina, humana ou até satânica (1 Coríntios 14:29; 1 Tessalonicenses 5:20-21).
A profecia, assim como os demais dons, deve sempre ser avaliada, pois existem falsas profecias, já mencionadas desde o Antigo Testamento (Jeremias 23:16-21). O objetivo da profecia verdadeira é edificar, encorajar, consolar e, em alguns casos, revelar o futuro (1 Coríntios 14:3; Atos 11:27-28; 21:10-11).
Além das falsas profecias há também falsas manifestações de outros dons (Mateus 7:21-23) Todo uso indevido dos dons é condenado pelo Senhor.
Capítulo V - OS DONS MINISTERIAIS
Chamamos de dons ministeriais aqueles
relacionados por Paulo em Efésios 4:11-13:
“E ele designou alguns
para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para
pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério,
para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade
da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a
medida da plenitude de Cristo.”
Neste texto, reforçado pelo que Paulo
escreve à igreja em Corinto (1 Coríntios 12:28-30), identificamos cinco dons:
apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Há diferentes dons
porque, no ministério da Igreja, existem serviços e necessidades variadas. Para
atender a essa diversidade, é necessário que haja diferentes capacitações. É
aqui que o Espírito Santo atua, vocacionando fiéis para o exercício desses
dons.
Breve Descrição dos Dons Ministeriais
Apóstolo – o termo apóstolo origina-se do grego apostolos e significa literalmente “enviado”. Na
Bíblia, está sempre relacionado aos doze, ao apóstolo Paulo e também a Jesus
(Hebreus 3:1). Paulo é o apóstolo dos gentios (Romanos 11:13), aquele que foi
enviado a pregar aos não judeus. Jesus é o enviado do Pai para salvar a
humanidade da condenação por causa do pecado (Mateus 4:32). Os doze foram
enviados a pregar o evangelho e a fazer discípulos por todo o mundo (Mateus
28:16-20). Observemos que o título está sempre relacionado ao trabalho
missionário, dado a pessoas enviadas a desenvolver trabalhos pioneiros. O
apostolado não é um título eclesiástico, mas um ministério. O apóstolo é aquele
que foi capacitado para implantar e edificar trabalhos pioneiros, sobretudo
transculturais, sendo um embaixador do Reino de Deus.
Profeta – vem do grego prophetes e significa “proclamador de uma
mensagem divina” ou “aquele que fala em público, um mensageiro”. O profeta não
é aquele que tem o dom de profetizar, mas sim o ministério de profeta. O
dom de profetizar é espiritual; o ministério de profeta é ministerial. O dom de profetizar é dado a qualquer irmão, já o dom de profeta somente aos vocacionados por Deus. Apesar
de ambos transmitirem a Palavra de Deus, não são equivalentes. Quem tem o dom
de profetizar transmite esporadicamente mensagens especiais vindas da parte do
Senhor. Já o profeta, no ministério, está continuamente diante da igreja,
transmitindo a mensagem da Palavra de Deus inspirado pelo Espírito Santo, com o objetivo de
edificar os santos e preparar a igreja para a obra do Senhor.
Evangelista – do grego euangelistés, significa “mensageiro do bem”, “proclamador
de boas notícias”. Todo cristão pode e deve evangelizar, anunciando as boas
novas do Evangelho. Contudo, alguns recebem de Deus capacitação especial para
esse trabalho. São pessoas carismáticas, capazes de plantar igrejas, reunir o
povo em torno da Palavra e desenvolver trabalhos de evangelização em massa com
eficácia. É um ministério importante e semelhante ao apostólico, já que ambos
atuam na expansão da obra do Senhor. A diferença é que o apóstolo desenvolve
trabalhos em locais onde o Evangelho ainda não chegou, enquanto o evangelista
exerce a evangelização no cotidiano da igreja.
Pastor – do grego poimen, significa “aquele que cuida de rebanhos”, e
metaforicamente, “aquele que cuida da Igreja de Cristo”. O pastor conduz,
governa e serve de guia espiritual. É quem atende às necessidades espirituais
da igreja, consola os fiéis, fortalece os fracos na fé e provê alimento
espiritual às ovelhas de Cristo (Salmos 23:1-4). Ele é o líder espiritual da
igreja, responsável por conduzi-la segundo a vontade de Deus (Hebreus 13:17).
Mestre – do grego didaskalos, significa “doutor”, “aquele que
ensina, instrui, doutrina”. O mestre recebe capacitação sobrenatural para
ensinar e instruir a Igreja, penetrando nos mistérios de Deus e transmitindo-os
com clareza. Seu objetivo é fortalecer espiritualmente os crentes,
aprofundando-os no conhecimento da Palavra e da vontade de Deus. O ministério
de mestre é de grande importância, pois auxilia a Igreja a compreender a
verdade e a conquistar maturidade espiritual (Efésios 4:14).
Considerações adicionais
É possível que uma só pessoa receba mais
de um dom, inclusive dons ministeriais. Na parábola dos talentos, Jesus mostra
isso ao afirmar que o homem que saiu de viagem entregou cinco talentos a um
servo, dois a outro e um a outro, de acordo com a capacidade de cada um (Mateus
25:14-15). No episódio da multiplicação dos pães, o rapaz possuía cinco pães e
dois peixes (João 6:8).
O apóstolo Paulo é um exemplo claro de
servo que possuía todos os dons ministeriais: foi apóstolo dos gentios; profeta
que trouxe mensagens e exortações poderosas; evangelista incansável; mestre que
sistematizou as principais doutrinas do cristianismo; e pastor amoroso que
protegeu as ovelhas de Cristo dos falsos mestres e profetas.
Na atualidade, em muitas igrejas, os
ministérios se transformaram em títulos eclesiásticos. O evangelista é visto
como menor que o pastor, e o apóstolo como maior que o pastor. São títulos que
estabelecem uma hierarquia, sem relação com a verdadeira vocação ministerial.
Observa-se ainda que ninguém é ordenado profeta ou mestre, apenas evangelista,
pastor e, em algumas denominações, apóstolo. Será que Deus não concede mais os
dons de profeta e mestre?
Os ministérios não foram dados por Deus
para estabelecer hierarquia, mas para oferecer à Igreja servos capacitados para
suprir todas as suas necessidades. Não há ministério inferior ou superior:
todos são igualmente importantes e necessários para que a obra do Senhor cresça
com saúde espiritual e os santos sejam aperfeiçoados até alcançarem a medida da
plenitude de Cristo (Efésios 4:11-13).
Assim, os dons ministeriais têm como propósito
o aperfeiçoamento dos santos, o preparo para o serviço cristão e a edificação
da Igreja, conduzindo os crentes à unidade da fé e ao pleno conhecimento de
Cristo. É pelo exercício desses dons que os fiéis alcançam maturidade
espiritual. Sem ensino e sem orientação sólida na Palavra, a Igreja torna-se
inconstante, e os crentes tornam-se presa fácil dos falsos mestres que buscam
apenas seus interesses egoístas e mercenários. É justamente para fortalecer e
imunizar a Igreja contra falsas doutrinas que o Senhor levanta homens e
mulheres, capacitando-os sobrenaturalmente com diferentes dons para atender a
todas as necessidades do Seu povo.
Capítulo VI - O USO INDEVIDO DOS DONS
Há, em várias igrejas, muita
desordem e misticismo no que se refere ao uso dos dons. Não se pode negar que
também há, em outras, muito ceticismo. A falta de conhecimento da Palavra de
Deus, ou a sua distorção proposital, é a principal causa tanto do misticismo
quanto do ceticismo. É necessário encontrar o caminho do equilíbrio, buscando
no Senhor orientação ao estudar a Bíblia Sagrada.
Tanto os céticos quanto os
místicos trazem males à Igreja. Ambos são igualmente perigosos porque desviam o
povo de Deus da rota estabelecida em sua Palavra. Os céticos negam a existência
ou a atualidade dos dons e impedem o povo de experimentar a realidade da
operação do Espírito Santo na Igreja. Os místicos, por sua vez, creem nos dons
de forma deturpada e conduzem os servos do Senhor ao erro, fazendo com que uns
desconfiem da realidade dos dons e outros não consigam separar o divino do
humano, o poder de Deus do poder da carne, o operar do Senhor do operar do
reino das trevas. São pessoas que vivem em um mundo irreal, com uma fé e uma
prática cristã baseadas apenas em sentimentalismos, totalmente desprovidas de
racionalidade. No exercício dos dons, Paulo rogou aos Romanos que fossem
racionais e equilibrados (Romanos 8:1-3).
O misticismo abre caminho para
que impostores e mercenários atuem livremente na Igreja, enganando o povo de
Deus com falsas curas, milagres, profecias, revelações e línguas.
A Igreja precisa entender que os
falsos profetas e mestres mais perigosos são justamente os que atuam dentro
dela. Jesus advertiu os discípulos: “Cuidado, que ninguém os engane. Muitos
virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ e enganarão a muitos” (Marcos 13:5-6). E
disse ainda: “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de
peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão
por seus frutos” (Mateus 7:15-16). Paulo também advertiu os tessalonicenses:
“Não deixem que ninguém os engane de modo algum” (2 Tessalonicenses 2:3).
Nem todos os milagres e
manifestações têm origem divina. O próprio Jesus afirmou:
Nem
todo aquele que me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos céus, mas apenas
aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele
dia: 'Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos
demônios e não realizamos muitos milagres?' Então eu lhes direi claramente:
Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! (Mateus 7:21-23).
Por
isso, o crente deve ter a sua fé fundamentada na Palavra do Senhor, a
verdadeira profecia. Continuando o ensino, Jesus disse:
Portanto, quem ouve estas
minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa
sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram
contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as
pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a
chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e
ela caiu. E foi grande a sua queda (Mateus 7:24-27).
Fundamentado na Palavra, o crente é
capacitado para discernir a origem das manifestações e milagres. Por isso o
ensino da Palavra de Deus na Igreja é tão importante. É ela quem instrui,
alimenta, fortalece a fé, conduz ao conhecimento de Deus e da verdadeira
doutrina. Preocupado com a ação dos falsos mestres e profetas, Paulo instruiu
seu discípulo Timóteo:
Até
a minha chegada, dedique-se à leitura pública da Escritura, à exortação e ao
ensino. Não negligencie o dom que lhe foi dado por mensagem profética com
imposição de mãos dos presbíteros. Seja diligente nessas coisas; dedique-se
inteiramente a elas, para que todos vejam o seu progresso. Atente bem para a
sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo
assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem (I Timóteo
4:13-16).
Os dons não podem ser usados para
promoção pessoal, tampouco para ganho financeiro. Não se pode transformar
milagres e outras manifestações do Espírito em instrumentos de barganha para
conseguir dinheiro. Hoje não são poucas as igrejas que se tornaram verdadeiras
empresas da fé, empreendimentos cujo principal propósito é o lucro. Vai-se ao
“culto da bênção” ou “dos milagres” para receber algo, mas somente se houver
oferta financeira. Isso é heresia!
O crente deve contribuir na Casa
de Deus por liberalidade, como exercício de fé, crendo na prosperidade
prometida por Deus (Malaquias 3:10-11), não para comprar uma bênção ou um
milagre. A bênção de Deus não se compra com dinheiro. Quando Simão quis comprar
a manifestação do Espírito Santo, Pedro lhe disse:
Pereça com você o seu dinheiro! Você
pensa que pode comprar o dom de Deus com dinheiro? Você não tem parte nem
direito algum neste ministério, porque o seu coração não é reto diante de
Deus. Arrependa-se dessa maldade e ore
ao Senhor. Talvez ele lhe perdoe tal pensamento do seu coração, pois vejo que
você está cheio de amargura e preso pelo pecado (Atos 8:20-23).
Certa vez fui a uma “igreja
empresa”, num culto de milagres. Como se tratava de um “culto de milagres”, a
mensagem do pastor teve como propósito estimular a fé das pessoas no sentido de
que elas dessem a maior oferta possível para que recebessem naquele culto a
benção de Deus. Ao final da mensagem, o referido pastor apresentou ao povo uns
papéis, os quais ele denominava de “passaporte
para a benção”, eram apenas 20 passaportes. Cada passaporte custava mil
reais. Quem os adquirisse teria a benção garantida. Como nem todos os
passaportes foram vendidos houve uma liquidação e o preço baixou para
quinhentos reais, com a informação de que a garantia não era a mesma, ou seja,
era uma garantia relativa. Como nem pela metade do preço todos os passaportes
foram vendidos, nova liquidação foi lançada, o preço baixou para duzentos
reais. Ao vender por este novo preço o pastor foi enfático em afirmar que era
possível receber a benção pretendida, mas que não podia dar a mesma garantia dada
a aqueles que compraram por mil ou quinhentos reais. Isto é uma blasfêmia, uma
afronta ao Espírito Santo. O dom de Deus não se compra com dinheiro. Lembremos
que Simão, o mago foi severamente repreendido por Pedro em Samaria quando
tentou comprar o dom de Deus com dinheiro (Atos 8:18-23). É lamentável vir que
muitos se deixam levar e enganar por estes mercenários que usam de subterfúgios
para operar falsos milagres ou milagres cuja origem não é divina.
Jesus nunca operou milagres em
troca de ofertas; o que Ele exigia era fé (Marcos 9:17-24).
Além dos falsos curandeiros e
milagreiros, há falsos profetas que entregam mensagens em troca de dinheiro,
viagens ou benefícios pessoais. São os profetas da linhagem de Balaão, que só
se inspiram quando há interesse financeiro. Pedro os descreveu com firmeza em 2
Pedro 2:1-18, alertando que são gananciosos, corruptos e exploradores.
É o conhecimento da Palavra do
Senhor e uma vida de intimidade com Deus que conduzem o crente à imunidade
contra tais males que assolam a Igreja de Deus na atualidade. Minha
recomendação é que leiam a Bíblia, orem e peçam ao Espírito Santo que lhes dê
discernimento, para que possam distinguir os falsos mestres e profetas dentre
aqueles que Deus tem chamado e capacitado para trazer edificação e
aperfeiçoamento à Igreja do Senhor.
Pela visibilidade que trazem, os
dons mais exercitados em desacordo com a Palavra de Deus são: línguas,
profecias, cura e milagres. Com base no que já acontecia em seu tempo, em
particular na igreja em Corinto, Paulo traz orientações seguras sobre o uso
desses dons.
Paulo orientou a igreja em
Corinto dizendo: “Portanto, meus irmãos,
busquem com dedicação o profetizar e não proíbam o falar em línguas. Mas tudo
deve ser feito com decência e ordem” (1 Coríntios 14:39-40).
Não se deve falar em línguas
irracionalmente. É necessário entender que quem fala em línguas fala a Deus e
não aos homens (1 Coríntios 14:2). Se, falando em línguas, falamos apenas a
Deus, devemos fazê-lo somente quando houver intérprete, caso estejamos em
público. A ausência do intérprete torna a mensagem inútil e incapaz de promover
edificação, já que não pode ser compreendida. Vejamos o que Paulo diz:
“Agora,
irmãos, se eu for visitá-los e falar em línguas, em que lhes serei útil, a não
ser que lhes leve alguma revelação, ou conhecimento, ou profecia, ou doutrina?
Até no caso de coisas inanimadas que produzem sons, tais como a flauta ou a
cítara, como alguém reconhecerá o que está sendo tocado, se os sons não forem
distintos? Além disso, se a trombeta não emitir um som claro, quem se preparará
para a batalha? Assim acontece com vocês. Se não proferirem palavras
compreensíveis com a língua, como alguém saberá o que está sendo dito? Vocês
estarão simplesmente falando ao ar. Sem dúvida, há diversos idiomas no mundo;
todavia, nenhum deles é sem sentido. Portanto, se eu não entender o significado
do que alguém está falando, serei estrangeiro para quem fala, e ele,
estrangeiro para mim. Assim acontece com vocês. Visto que estão ansiosos por
terem dons espirituais, procurem crescer naqueles que trazem edificação para a
igreja” (1 Coríntios 14:6-12).
Aqui, o apóstolo não está
proibindo ninguém de falar em línguas, apenas ensina que devemos ser racionais
ao fazê-lo. Ele recomenda que quem fala em línguas ore também para que tenha o
dom de interpretar (1 Coríntios 14:13). Sugere ainda que falemos em línguas em
momentos de adoração, porque, quando adoramos, falamos a Deus. Se estamos
falando com Deus, podemos falar em línguas, pois Ele compreende o que dizemos.
Paulo afirma que, quando oramos em espírito, oramos bem. Orando em espírito,
edificamos nossa alma. Contudo, devemos saber que, embora nosso espírito seja
edificado, a oração ou a adoração em línguas não edifica a nossa mente. Para
conciliar essa questão, o apóstolo recomenda: “Orarei com o espírito, mas
também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei
com o entendimento” (1 Coríntios 14:15).
Esses jargões incompreensíveis, pronunciados por pessoas que afirmam falar em línguas, nada têm a ver com o verdadeiro dom de línguas. A língua dada por Deus como dom pode ser traduzida por um intérprete que conhece o idioma falado ou, ainda, pela manifestação do dom de interpretação (1 Coríntios 14:27). No dia de Pentecostes, os apóstolos falaram em línguas que foram entendidas claramente pelos ouvintes, pois cada um os ouvia em seu próprio idioma (Atos 2:1-12). Língua é um sistema de comunicação usado por seres humanos para expressar sentimentos, pensamentos e ideias, dentro de regras e símbolos específicos. Por isso, não se pode considerar como língua a verbalização de sons desconexos, incapazes de transmitir uma mensagem inteligível. Esses jargões não comunicam nada, não têm tradução nem interpretação, pois carecem de sentido. Precisamos de maturidade para não oferecer a Deus um culto irracional (Romanos 12:1) e para não sermos enganados por falsos dons. Afinal, nem toda manifestação é de origem divina (Mateus 7:21-23).
Também não podemos chamar de
profecia manifestações sem sentido, que resultam em mensagens confusas. Em
muitas igrejas, surgem supostas profecias baseadas em informações previamente
conhecidas sobre algumas pessoas ou em declarações genéricas, lançadas ao
acaso, que acabam se encaixando em alguém do grupo. É preciso vigilância para
não sermos enganados.
Deus não precisa levantar
profetas em todos os cultos. Diariamente, Ele já nos fala por meio da sua
Palavra, que é a verdadeira profecia (2 Pedro 1:20-21). Além disso, a profecia
deve ser usada com responsabilidade, nunca de forma indiscriminada. Ela também precisa
ser avaliada: “Tratando-se de profetas, falem dois ou três, e os outros julguem
cuidadosamente o que foi dito” (1 Coríntios 14:29).
Também não é bíblico afirmar que
quem fala em línguas ou profetiza não pode se calar, como se fosse impossível
controlar o Espírito Santo. É fundamental lembrar que, ao falar em línguas ou
profetizar, não é Deus falando diretamente, mas a pessoa comunicando o que
recebeu de Deus. Trata-se do espírito da pessoa, e não do Espírito Santo. Por
isso Paulo afirmou: “Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.
Pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz, como em todas as congregações dos
santos” (1 Coríntios 14:32-33).
Capítulo VII - RECOMENDAÇÕES BÍBLICAS SOBRE O USO DOS DONS
Paulo fala dos dons com o objetivo de instruir a Igreja sobre o assunto. Ele disse à Igreja em Corinto que não
queria que fossem ignorantes acerca dos dons espirituais (1 Coríntios 12:1).
Era a ignorância nesse assunto que produzia dissensões na congregação. Corinto
foi uma Igreja que abundou nos dons, mas que, pela falta de conhecimento de uns
e pelos interesses egoístas de outros, também vivenciou uma grave crise
espiritual, originada pelo uso indevido dos dons, trazendo divisão, discórdia e
até apostasia. Paulo pediu aos irmãos que lutassem pelo entendimento entre eles
e que não se deixassem levar por aqueles que provocavam desavenças com o
propósito de satisfazer o próprio ego (1 Coríntios 1:10). Por causa da situação
espiritual da Igreja, Paulo disse que falava a carnais, não a espirituais; a
crianças, não a adultos (1 Coríntios 3:1-5). Assim, no intuito de reconduzir a
Igreja aos trilhos da Palavra de Deus, ele deu instruções claras sobre diversos
assuntos e doutrinas, incluindo o uso dos dons.
Os Dons Devem ser Exercitados em Amor
Os
dons só têm valor se forem exercitados em amor. Sem amor, eles apenas produzem
ruídos que não geram nada de permanente ou edificante. Paulo diz aos coríntios
o seguinte:
“Ainda
que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o
sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de
profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz
de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres
tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor,
nada disso me valerá” (1 Coríntios 13:1-3).
Para
que os dons sejam uma realidade na Igreja, é necessário que haja uma clara
compreensão de que ela é um corpo; que, como corpo, é composta de muitos
membros; que cada membro tem sua importância no organismo e exerce função
específica; e que é a diversidade entre os membros que produz a unidade do
corpo (1 Coríntios 12:12-14). Sem o amor, não é possível conviver na
diversidade sem quebrar a unidade. É justamente por isso que Paulo é enfático
ao falar de diversidade e unidade, definindo claramente o que é amor:
“O amor é paciente, o
amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não
procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não
se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta. O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão,
as línguas cessarão, o conhecimento passará” (1 Coríntios 13:4-8).
Quando
há amor verdadeiro, não há espaço para espírito de superioridade nem para
práticas egocêntricas. Ninguém que recebe este ou aquele dom se torna superior
aos demais. Há pessoas, ditas profetas, que se utilizam do que Paulo diz em 1
Coríntios 14:5 para se colocarem em nível de superioridade em relação aos
demais cristãos. Mas aqui Paulo não está se referindo à pessoa, e sim à
manifestação do Espírito Santo falando para a Igreja. Ele faz um comparativo
entre o dom de profetizar e o dom de línguas, mostrando que, na vida prática,
quem profetiza traz edificação à Igreja, enquanto aquele que fala em línguas
edifica a si mesmo. Ora, o que profetiza fala em linguagem compreensível a
todos; já o que fala em línguas fala de forma incompreensível e não pode ser
entendido, a menos que haja intérprete. Como o propósito dos dons é edificar a
Igreja, a superioridade está na mensagem que edifica, não na pessoa que a
transmite (1 Coríntios 14:12-13). Desde que o propósito seja a edificação da
Igreja, todos os dons são igualmente importantes.
“O olho não pode
dizer à mão: ‘Não preciso de você!’ Nem a cabeça pode dizer aos pés: ‘Não
preciso de vocês!’ Ao contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos
são indispensáveis, e os membros que pensamos serem menos honrosos tratamos com
especial honra. E os membros que em nós são indecorosos são tratados com decoro
especial, enquanto os que em nós são decorosos não precisam ser tratados de
maneira especial. Mas Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que
dela tinham falta, a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos
os membros tenham igual cuidado uns pelos outros. Quando um membro sofre, todos
os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se
alegram com ele. Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês,
individualmente, é membro desse corpo” (1 Coríntios 12:21-27).
Observemos
como Deus promove um processo de compensação a fim de que todos sejam iguais.
Os membros mais fracos são tratados com mais honra, e os mais decorosos com
menos honra, para que, como diz o apóstolo, não haja divisão no corpo e todos
tenham igual cuidado uns pelos outros.
Entre
os apóstolos de Jesus houve uma discussão para saber quem era o maior. Como não
chegaram a uma conclusão, levaram a dúvida até Jesus. A resposta do Mestre foi
simples e prática:
“Os reis das nações
dominam sobre elas; e os que exercem autoridade sobre elas são chamados
benfeitores. Mas vocês não serão assim. Ao contrário, o maior entre vocês
deverá ser como o mais jovem, e aquele que governa, como o que serve. Pois quem
é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu
estou entre vocês como quem serve” (Lucas 22:25-27).
Na
Igreja do Senhor não há lugar para senhores, apenas para servos. Ao recebermos
um dom, devemos nos colocar na condição de servos para que sejamos realmente
instrumentos de Deus, trazendo bênção e edificação para o Seu povo.
Os Dons Devem ser Exercitados com Sabedoria
Referindo-se
ao exercício dos dons, Paulo diz que devemos agir como adultos, não como
crianças (1 Coríntios 14:20). A sensatez e a maturidade são qualidades
indispensáveis àqueles que desejam prestar ao Senhor um culto racional. Aqui, o
termo “racional” pode ser entendido também como “espiritual”. A racionalidade
não sufoca a espiritualidade; pelo contrário, permite ao crente experimentar a
verdadeira manifestação do Espírito Santo na Igreja, sem se deixar contaminar
por meninices, exageros ou falsas manifestações do Espírito.
Há
muitos crentes que, no exercício dos dons, promovem desordens na Igreja e
atribuem seus excessos à atuação do Espírito Santo. O Espírito Santo é
educado e ordeiro; a desordem é fruto da insensatez. A ordem no culto é
necessária para que a operação do Espírito Santo beneficie a todos e não cause
escândalos. No dia de Pentecostes estavam reunidos cerca de cento e vinte
irmãos (Atos 1:15), que, de repente, começaram a falar em outras línguas
conforme o Espírito Santo lhes concedia. Não há na Bíblia registro de que
tenham promovido desordem, transformando a reunião em uma verdadeira Babel. Pelo
contrário: se não houvesse ordem entre eles, não seria possível distinguir a
mensagem em cada idioma no qual falavam das grandezas de Deus à multidão que
foi atraída para o cenáculo (Atos 2:4-11). Muitos dentre a multidão ficaram
perplexos porque cada um ouvia os discípulos falarem em seu próprio idioma,
apesar de todos serem galileus.
É um
erro grave atribuir os excessos de alguns, no exercício dos dons, ao Espírito
Santo. Ele não interfere no equilíbrio emocional de ninguém, nem torna alguém
inconsciente. “O espírito dos profetas está sujeito aos profetas” (1 Coríntios
14:32). Isso significa que o crente não perde o domínio próprio quando Deus o
está usando. A alienação da consciência e do domínio próprio do ser humano é
obra de Satanás, não de Deus. Nosso Deus não é Deus de confusão nem de
desordem, mas de paz (1 Coríntios 14:26-33).
Os Dons Devem Ser
Exercitados na Igreja
Há
cristãos que se apropriam dos dons como sendo propriedade particular. Tais
pessoas se colocam em posição de superioridade em relação aos demais irmãos.
Por entenderem os dons como propriedade particular, acham que devem usá-los
como bem entendem e onde melhor lhes convier. Há, inclusive, aqueles que usam
os dons com o objetivo de se autopromoverem, espiritual e financeiramente,
preferindo exercitá-los em consultórios ou reuniões particulares. É muito comum
a realização de reuniões particulares para profecias e curas, sem qualquer
envolvimento da Igreja como organismo vivo ou da liderança da Igreja como guias
espirituais do povo de Deus.
A
Igreja não tem necessidade de nenhum trabalho especializado apartado dela. Como
os dons foram dados para edificação da Igreja e para o bem comum, devem ser
exercitados somente nela:
“Assim acontece com vocês. Visto que
estão ansiosos por terem dons espirituais, procurem crescer naqueles que trazem
edificação para a igreja. [...] Portanto, que diremos, irmãos? Quando vocês se
reúnem, cada um de vocês tem um salmo, ou uma palavra de instrução, uma
revelação, uma palavra em uma língua ou uma interpretação. Tudo seja feito para
a edificação da igreja. Se, porém, alguém falar em língua, devem falar dois, no
máximo três, e alguém deve interpretar. Se não houver intérprete, fique calado
na igreja, falando consigo mesmo e com Deus” (1 Co 14:12,26-28).
Todos
os dons podem ser usados na congregação (Atos 3:1-6; 5:12-16; 14:7-10). Paulo
dedica o capítulo 14 de 1 Coríntios para falar do propósito dos dons.
Observemos que ele é repetitivo ao afirmar que os dons têm como propósito
promover a edificação da Igreja (versos 3, 4, 5, 12, 17 e 26). No versículo 26
ele diz:
“Portanto, que
diremos, irmãos? Quando vocês se reúnem, cada um de vocês tem um salmo, ou uma
palavra de instrução, uma revelação, uma palavra em uma língua ou uma
interpretação. Tudo seja feito para a edificação da igreja.”
É
claro que Paulo sabia que muitos iriam discordar do seu ensinamento, afinal,
ele estava confrontando os interesses pessoais daqueles que queriam — e ainda
querem — usar os dons em seu próprio benefício. Em defesa de seus interesses
particulares, muitos se arvoram de uma espiritualidade superior aos demais e
afirmam ter recebido autorização do Espírito Santo para usarem os dons como bem
querem e entendem.
A
estes, ele disse: “Se alguém pensa que é
profeta ou espiritual, reconheça que o que lhes estou escrevendo é mandamento
do Senhor. Se ignorar isso, ele mesmo será ignorado” (1 Coríntios 14:37).
A
Bíblia ensina que, no uso dos dons, não devemos ir além do que está escrito. Os
dons espirituais nunca contradizem o que a Bíblia diz (1 Coríntios 14:6) e
também não podem trazer doutrinas ou práticas para a Igreja que não estejam de
acordo com a doutrina bíblica.
A
Bíblia, em si, é a Palavra da Verdade. Jesus disse em sua oração sacerdotal,
referindo-se à Igreja: “Santifica-os na
verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17).
A
Bíblia é a maior autoridade doutrinária na Igreja, e nada, em matéria de
ensino, dogma ou doutrina, pode ir de encontro a ela. Paulo afirmou: “[...] ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um
evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!”
(Gálatas 1:8).
Capítulo VIII - REFLEXÕES FINAIS
Os dons
são os meios pelos quais o Espírito Santo usa homens e mulheres para fazer a
sua obra na terra. Sem os
dons, a Igreja deixa de ser um organismo vivo e passa a ser uma organização
religiosa, sem poder, sem ação, sem vida. Cada crente é um membro do corpo místico
de Cristo na terra, a Igreja. São os dons a energia que faz com que cada membro
funcione e cumpra a sua função no corpo. Sem energia, o corpo não funciona,
fica inerte e vem a falecer.
Buscar os dons é uma necessidade
premente da Igreja, para que ela tenha poder, para que faça a diferença, para
que atue de forma a fazer com que o mundo perceba Cristo no nosso meio. A
atualidade dos dons é uma realidade porque servimos a um Senhor que não muda. Jesus
Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre (Hebreus 13:8).
O misticismo e o ceticismo em
relação aos dons são males que enfermam espiritualmente a Igreja. Os céticos,
com suas teses de incredulidade, buscam privar a Igreja da graça e da unção de
Deus, bem como de tomar posse dos dons que são a energia que mantém viva a
Igreja de Cristo na terra, como organismo que tem a função de transformar o
mundo através da pregação do Evangelho, além de fazer com que o mundo enxergue
Cristo no nosso viver diário, através da manifestação dos dons, como acontecia
na Igreja Primitiva. Os místicos, com suas ideias de espiritualizar o que é
material e distorcer a manifestação do Espírito Santo na Igreja com suas
práticas insensatas e irracionais, confundem os incautos e os fracos na fé,
conduzindo-os ao erro e levando muitos a descrer do poder de Deus e também da
realidade dos dons na Igreja.
Há também os fanáticos, que são
muito semelhantes aos místicos. Ambos espiritualizam o que é material e, pela
falta de visão espiritual e da capacidade de discernir os espíritos e
manifestações, confundem a manifestação do Espírito Santo com outras manifestações
espirituais, atribuindo ao Espírito Santo manifestações puramente carnais e até
manifestações do espírito do erro. Tais pessoas enveredam por caminhos que
desagradam a Deus, enganando o povo do Senhor com falsas manifestações,
promovendo inclusive a apostasia, visto que muitas vezes criam doutrinas falsas
que colidem frontalmente com a Palavra de Deus, seguindo o exemplo da profetisa
que enganava o povo de Deus na Igreja de Tiatira, a qual, por sua forma
ardilosa de conduzir o povo ao erro e à apostasia, o Senhor chamou de Jezabel
(Apocalipse 2:20).
A grande diferença entre os
místicos e os fanáticos é que os místicos são incautos e desprovidos de
conhecimento e sensatez. Já os fanáticos são arrogantes, prepotentes,
presunçosos e não medem esforços para impor ao povo de Deus suas doutrinas
falsas, criadas ao bel-prazer de homens e mulheres que se dizem cheios do
Espírito Santo e de muita santidade, quando, na verdade, há no coração deles
engano, falsidade e a busca da autopromoção por meio de práticas e ações que
eles chamam de dons do Espírito.
Ensinar com critério e embasado
exclusivamente no que diz a Palavra de Deus, sem o uso de qualquer artifício ou
argumento alheio à verdadeira doutrina, é o único antídoto para que a Igreja de
Cristo fique imune a tais mazelas espirituais que tanto a enfermam e promovem a
desordem, a apostasia e o descrédito em relação à verdadeira manifestação do
Espírito Santo na Igreja por meio dos dons. É isto que devem fazer aqueles que
têm compromisso com a Palavra de Deus, seguindo o exemplo de Elias, que correu
todos os riscos, inclusive o de ser morto, para ensinar ao povo de Israel a
palavra de Deus, buscando levá-los de volta ao centro da verdadeira vontade do
Senhor. O Senhor disse pela boca do profeta Isaías: “O meu povo será levado
cativo por falta de conhecimento” (Isaías 5:13).
Os dons são uma realidade para a
Igreja na atualidade, da mesma forma que foram para a Igreja Primitiva. O que
necessitamos é buscá-los com o propósito de engrandecer e glorificar o nome do
Senhor, sabendo que eles são dispensados à Igreja com o objetivo claro de
trazer assistência, consolo, edificação e crescimento espiritual. Os dons não
são propriedade particular de ninguém, nem são dados a alguém por mérito
próprio. Tudo que recebemos do Senhor é por meio da graça. Ninguém é santo o
suficiente para merecer alguma coisa de Deus; tudo o que Ele derrama sobre a
nossa vida o faz porque é um Deus misericordioso, que olha o homem de forma
diferente de nós, humanos. O homem vê a aparência, mas o Senhor vê o que há
no coração (1 Samuel 16:7).
Que o Senhor continue a derramar
os dons sobre a sua Igreja, a fim de que ela viva a plenitude do Espírito
Santo, mostrando ao mundo que o Deus a quem servimos está vivo e é o mesmo
ontem, hoje e sempre. Amém!
Nice, good job 👌
ResponderExcluirthank you very much
ExcluirLouvado seja o Senhor por sua vida, meu pastor !
ResponderExcluirAmém
ExcluirAmém🙏🏼🙏🏼
ResponderExcluirLouvado seja Deus
ResponderExcluir