O PASTOR É HUMANO: NEM ANJO, NEM MÁQUINA
A experiência pastoral de trinta e dois anos de ministério, desenvolvida em várias igrejas, tanto no Brasil quanto fora do país, em denominações pentecostais e tradicionais, levou-me a perceber um fenômeno comum a todas elas, independentemente da vertente: o imaginário de que o pastor é um ser superior aos demais humanos — quase sobrenatural.
A partir desse imaginário, muitas vezes reforçado de forma não intencional pelos próprios pastores, constrói-se a ideia de que o pastor não cansa; não sente dor, tristeza, medo, frustração ou decepção; não sofre de vulnerabilidades emocionais; não erra e deve estar sempre inteiro para atender a toda e qualquer demanda das ovelhas, a qualquer momento.
Neste artigo, veremos o que a Bíblia tem a dizer sobre esse assunto, bem como pesquisas que buscam revelar a realidade do pastor por trás do púlpito.
1. A Humanidade reconhecida na Bíblia
Vamos começar por Jesus em seu ministério terreno. Vários textos bíblicos ressaltam as necessidades e vulnerabilidades de Jesus, mostrando que, mesmo sendo o Filho de Deus, em sua condição humana Ele vivenciou todas as carências e sentimentos próprios dos seres humanos. Sentiu fome (Marcos 11:12); sede (João 19:28); cansaço (João 4:6); tristeza profunda, mortal (Mateus 26:38); decepção (Mateus 26:40; Lucas 22:61); compaixão (Mateus 14:14); e também a dor pela perda de um ente querido (João 11:35-36).
Se tantas vulnerabilidades de Jesus foram expostas no texto sagrado, é porque Ele queria que entendêssemos que todos — inclusive os pastores — são seres humanos, com todas as limitações próprias da nossa humanidade.
A Bíblia também expõe a humanidade de grandes homens de Deus, revelando suas fragilidades. Paulo, um apóstolo que teve experiências espirituais profundas e indescritíveis com Deus (2 Coríntios 12:1-4), também foi alguém que conviveu com um “espinho na carne”, o qual o atormentava constantemente. Sua resposta? Bastava-lhe a graça do Senhor (2 Coríntios 12:7-9).
Vemos o mesmo Paulo expressando sua luta interior — tão humana — entre a carne e o espírito, dizendo:
¹⁵ Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio. ¹⁶ E, se faço o que não desejo, admito que a lei é boa. ¹⁷ Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. ¹⁸ Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. ¹⁹ Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo (Romanos 7:15-19).
Uma enfermidade crônica de Paulo também é mencionada na Bíblia — possivelmente uma doença nos olhos — que o constrangia, mas ao mesmo tempo o motivava a continuar pregando o evangelho, apesar do sofrimento. Mesmo doente, ele evangelizou na Galácia, contando com a compreensão dos irmãos das igrejas daquela região da Ásia (Gálatas 4:12-15). Estudiosos afirmam que o "espinho na carne", ao qual Paulo se refere, pode ter sido essa doença ocular; entretanto, não há registros históricos que confirmem essa hipótese.
Outro episódio marcante na história pastoral de Paulo foi a necessidade de trabalhar, fabricando tendas na cidade de Corinto, para sobreviver, uma vez que aquela igreja lhe negava o sustento (Atos 18:1-3; 2 Coríntios 11:7-9). Em sua carta, ele enfatiza àquela igreja o fato de ter passado necessidade, sendo socorrido pelos irmãos da Macedônia. Negar sustento ao pastor que se dedica à igreja é antibíblico (1 Coríntios 9:9-12), "Pois a Escritura diz: 'Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal' e 'o trabalhador merece o seu salário'" (1 Timóteo 5:18).
Paulo também sofreu a dor do abandono por parte de irmãos que ele mesmo havia discipulado. Ele relata a Timóteo, com tom de decepção, que todos os da Ásia o abandonaram — inclusive Fígelo e Hermógenes — sugerindo que se tratava de pessoas próximas (2 Timóteo 1:15-18). Nesta passagem, ele destaca a solidariedade de Onesíforo, que muitas vezes o reanimou e não se envergonhou de sua condição de prisioneiro. Logo em seguida, Paulo diz a Timóteo que apenas Lucas permanecera com ele (2 Timóteo 4:11) e o aconselha a ter cuidado com Alexandre, o ferreiro, que lhe causara muitos males. O tom dessa conversa por carta revela uma profunda decepção.
Evidenciando a humanidade daqueles que servem ao Senhor neste santo ministério pastoral, vemos que, estando em Mileto, durante sua terceira viagem missionária, Paulo chamou os presbíteros da igreja de Éfeso para dar-lhes suas últimas instruções. E, entre as orientações, disse: "Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue" (Atos 20:28). O apóstolo também aconselhou Timóteo a cuidar da própria saúde (1 Timóteo 5:23) e ainda lhe orientou, dizendo: "Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina. Persevere nesses deveres, pois, fazendo isso, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem" (1 Timóteo 4:16).
Para cuidar do rebanho de Deus, o pastor precisa cuidar de si mesmo — da saúde física, emocional e espiritual — a fim de que tenha forças para enfrentar os desafios, frustrações, decepções, incompreensões e as dores do corpo e da alma.
2. Chamado não é capa de super-herói
Há no imaginário das ovelhas, a ideia de que o pastor, por ser chamado por Deus, está imune ao cansaço, à tentação, à tristeza, à frustração, à decepção, à dúvida. Mas o que a Bíblia nos ensina?
⁷ Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. ⁸ De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; ⁹ somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. (2 Coríntios 4:7-9).
O tesouro (o ministério da Palavra) é extraordinário, mas o vaso (o pastor) é frágil, humano como todos os humanos. Vaso de barro que pode quebrar, rachar, trincar. O chamado é divino, mas o instrumento é humano.
Em geral, as ovelhas veem o pastor como alguém mais próximo de um super-homem do que de um ser humano comum, com todas as vulnerabilidades que qualquer pessoa possui. Espera-se que o pastor seja incansável, emocionalmente inabalável — a ponto de não se sentir atingido por críticas, ameaças, confrontos, pela insensibilidade das pessoas, ou pelas palavras ofensivas dirigidas a ele e à sua família. Espera-se, ainda, que ele não se sinta humilhado quando a igreja lhe nega o sustento, nem decepcionado por não ser apoiado nas atividades da igreja ou por ser tratado com hipocrisia, falsidade e desdém.
Para alguns, o pastor — em tese — não tem direito ao descanso; ele não adoece, não sente fome, sede ou sono. Também não precisaria cuidar da própria família, atender às necessidades da esposa, dos filhos ou de outros familiares. Na visão de muitos, o pastor não pode errar, nem demonstrar suas vulnerabilidades. Não precisa de tempo para si, para estar a sós com Deus em oração, para estudar, se atualizar e preparar sermões com conteúdo edificante e unção espiritual.
Tais atitudes demonstram crueldade no trato com quem está ali para ajudar, ensinar, aconselhar e conduzir o povo a uma verdadeira intimidade com Jesus.
Além disso, o pastor precisa ter extremo cuidado com suas palavras para não ser judicialmente questionado por pessoas que, embora frequentem ou até sejam membros da igreja, não pertencem, de fato, ao rebanho das ovelhas de Jesus, o nosso Supremo Pastor. Hoje, os pastores lidam com pessoas melindrosas, cheias de direitos, mas sem senso de dever; desprovidas de qualquer sensibilidade espiritual; pessoas que aderiram à religião cristã, mas que nunca foram transformadas pelo poder do evangelho, pois jamais abriram o coração para que neles fosse operado o milagre do novo nascimento (João 3:3).
O fruto do Espírito não faz parte da vivência diária dessas pessoas (Gálatas 5:22-23). Lidar com pessoas assim é desafiador. O pastor não é um super-herói — ele é um ser humano como todos os outros.
3. O perigo da idealização
Muitos pastores convivem com um fardo invisível: a necessidade de “ser forte o tempo todo”. Isso surge, muitas vezes, da idealização da figura pastoral — tanto por parte da igreja quanto do próprio líder. Quando o pastor acha que não pode falhar, não pode dizer que está cansado, não pode admitir que está passando por uma crise, acaba sendo empurrado para um lugar de isolamento e culpa.
É nesse ambiente que crescem o esgotamento, a depressão e a desistência silenciosa do ministério. Diversas pesquisas revelam que milhares de pastores pensam em deixar o ministério todos os meses, muitos deles por se sentirem sobrecarregados, solitários e sem cuidado. Há quem diga que muitos pastores pensam em desistir toda segunda-feira — resultado da carga emocional acumulada no exercício do ministério, especialmente ao lidar com pessoas que não demonstram comportamento nem conduta de verdadeiras ovelhas.
As estatísticas revelam uma realidade alarmante, que merece atenção e reflexão tanto por parte dos pastores quanto das ovelhas, no sentido de compreender e buscar alternativas que ajudem a amenizar as causas do pesado fardo pastoral.
Com base em pesquisas não sistematizadas, realizadas pela Revista Ultimato e pelo Instituto Parákletos, estima-se que cerca de 70% dos pastores brasileiros lutam com sinais de burnout. As causas mais apontadas incluem: solidão no ministério, conflitos internos nas igrejas, pressão financeira e falta de autocuidado.
Outra pesquisa informal, realizada pelo Projeto Barnabé / Cuidando de Quem Cuida, mostra que mais de 50% dos pastores brasileiros pensam seriamente em abandonar o ministério. As causas se repetem: solidão, conflitos internos, pressão financeira e ausência de apoio emocional. Os principais motivos citados são: exaustão emocional, conflitos na liderança, falta de apoio por parte da igreja e desequilíbrio familiar.
Nos Estados Unidos, onde há dados mais consistentes, uma pesquisa realizada pelo Barna Group revelou que quase metade dos pastores pensa em desistir de seus ministérios por estarem mentalmente esgotados. Publicada em 2022, a pesquisa mostrou que 42% dos pastores consideraram deixar o ministério, e a maioria deles (56%) apontou o estresse como principal causa. Em segundo lugar (43%), está o sentimento de solidão e isolamento no exercício da função pastoral (Fonte: “Esgotados: 42% dos pastores pensaram em desistir do ministério, diz pesquisa” – Gospel Channel, acessado em 28/07/25).
Nos últimos dez anos, houve um aumento superior a 400% no número de pastores esgotados — um dado extremamente preocupante, que indica a necessidade urgente de as lideranças ministeriais refletirem e agirem seriamente sobre o tema.
Pastores precisam aprender a lidar com a dificuldade de reconhecer e expressar sua humanidade, desmistificando a ideia de que o pastor é um ser sobrenatural. Consciente ou inconscientemente, muitos líderes acabam reforçando esse imaginário, o que apenas aumenta o peso que carregam — além do que já é inerente ao ofício ministerial.
O pastor precisa revelar sua humanidade às ovelhas. Nesse aspecto, Paulo nos dá um exemplo ao afirmar: "Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?" (Romanos 7:24). E ainda:
¹⁵ Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio. ¹⁶ E, se faço o que não desejo, admito que a lei é boa. ¹⁷ Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. ¹⁸ Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. ¹⁹ Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. (Romanos 7:15-19).
Aqui o apóstolo escancara o reconhecimento da sua humanidade com todas as fragilidades inerentes à raça humana, mesmo sendo ele um apóstolo cuja comunhão com Deus era excepcional.
O ideário do pastor-anjo ou pastor-máquina tem rondado a mente das pessoas ao longo do tempo, tornando-se um fardo exageradamente pesado, especialmente à medida que as relações sociais se tornam mais exigentes, complexas e, por vezes, desumanizadas — cobrando do líder espiritual uma perfeição que ele, como ser humano, jamais poderá oferecer.
4. Cuidar do pastor é cuidar da igreja
Uma igreja saudável começa por uma liderança saudável. Pastores também precisam ser pastoreados. Precisam de amigos verdadeiros com quem possam conversar e desabafar, de tempo para descanso, espaço para o silêncio, discipulado, mentoria, apoio familiar e oração.
O próprio Jesus, sendo o Filho de Deus, retirava-se para orar, descansava e se alimentava. Depois de um dia exaustivo, o Senhor Jesus chamou os seus apóstolos e disse: "Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco" (Marcos 6:31). Se Ele, sendo perfeito, fazia isso, quanto mais nós, pastores limitados, precisamos reconhecer nossos ritmos e limites.
O descanso também faz parte do ministério pastoral. Estando em Mileto, antes de partir para Jerusalém, Paulo mandou chamar os presbíteros da igreja em Éfeso para lhes dar instruções, entre elas: "Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que Ele comprou com o Seu próprio sangue" (Atos 20:28). Antes de cuidar do rebanho, o pastor precisa cuidar de si mesmo.
A saúde emocional e espiritual da igreja está diretamente atrelada à saúde emocional e espiritual do pastor. A igreja não será saudável se o pastor não estiver saudável. A partir desse pressuposto, entendemos que a igreja — diferentemente do que alguns pensam — precisa cuidar para que seu pastor tenha saúde física, emocional e espiritual.
Para tanto, o primeiro passo é reconhecer a humanidade do pastor, com todas as limitações que possuímos como seres humanos. O segundo é compreender que o trabalho pastoral precisa ser reconhecido e valorizado. Essa valorização inclui, inclusive, um sustento digno — dentro das posses da igreja — não usando o salário como forma de humilhação ou chantagem contra o pastor.
Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino, pois a Escritura diz: "Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal", e "o trabalhador merece o seu salário". (1 Timóteo 5:17-18).
Independentemente do que as pessoas pensam, o pastor também deve cuidar de si mesmo e da sua família. Aconselhando Timóteo, Paulo disse: "Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina. Persevere nesses deveres, pois, fazendo isso, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem" (1 Timóteo 4:16).
Algo me chamou a atenção em minhas meditações sobre os conselhos de Paulo aos pastores: o autocuidado sempre vem em primeiro lugar (1 Timóteo 4:16; 5:8,23).
Se você, individualmente, reconhece que o ministério pastoral é bíblico, então cuide da saúde física e mental, do bem-estar e do equilíbrio emocional do seu pastor — e também de sua família. Cuidar do pastor é cuidar da igreja.
5. A igreja precisa enxergar o pastor como servo, não como substituto de Cristo
O pastor é um referencial, sim. Deve ser exemplo para os fiéis, sim (1 Timóteo 4:12). Mas não é infalível. Não ocupa o lugar de Cristo. Não é sem propósito que a Bíblia expõe as falhas de grandes homens de Deus. Pastor também erra, peca, age em desacordo com os propósitos de Deus; afinal, ele é tão humano quanto todas as pessoas.
Os pastores são servos a serviço do Reino, ministros de Cristo, não substitutos do Senhor. "Portanto, que todos nos considerem como servos de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus". (1 Coríntios 4:1).
Como ovelhas de Cristo precisamos entender que os pastores tem os mesmos sentimentos e vulnerabilidades que nós; que eles se sentem ofendidos com palavras rudes e falsas acusações; que eles choram quando são magoados; que eles perdem o ânimo quando lidam com pessoas ingratas, insensíveis, dissimuladas e falsas; que eles sentem dor quando sua esposa e seus filhos são humilhados ou maltratados; que eles se sentem frustrados quando lhe falta o pão na mesa para ele e sua família; que eles pensam em desistir quando lhes falta apoio da igreja e sofrem oposição de falsos moralistas travestidos de defensores da religiosidade denominacional quando de fato defendem seus próprios interesses, seu status-quo; que ele fica desapontado quando evangeliza sem apoio das lideranças e da membresia da igreja local mais preocupadas em manter suas posições de domínio do que com a salvação de almas perdidas.
6. Os desafios de ser pastor na atualidade
Ser pastor na atualidade é mais desafiador do que há vinte ou trinta anos. Lidar com pessoas emocionalmente desequilibradas e famílias desestruturadas exige um aprendizado diário e impõe sobre quem está pastoreando uma carga emocional muito forte, que resulta em elevado nível de estresse.
O pastor precisa aprender a conviver com pessoas que vivem em um contexto de inversão de valores, com pais e mães que não respeitam ninguém e tampouco ensinam seus filhos a respeitarem as pessoas e as regras de convivência social, para que seja possível um viver harmônico, onde o respeito mútuo seja a tônica das relações sociais.
Ao lidar com pessoas, o pastor necessita pesar cada palavra que pronuncia, inclusive na pregação e no ensino, para não ferir aqueles cujo nível de melindre tem se tornado cada vez mais estratosférico. Esses melindres são resultado de uma educação familiar desprovida de princípios bíblicos, cristãos e socialmente saudáveis. As diversas ideologias que ganham corpo na sociedade estão destruindo, sorrateiramente, as relações sociais e, infelizmente, as pessoas — inclusive as que frequentam os templos evangélicos — não estão percebendo. Tais comportamentos são fontes de conflitos e de desequilíbrios nos relacionamentos interpessoais. Esta é uma realidade desafiadora e relativamente nova para os pastores.
Estatísticas revelam que muitos pastores pensam em desistir do ministério. No Brasil, segundo pesquisa informal feita pelo Projeto Barnabé – Cuidando de quem cuida, 50% dos pastores que responderam à pesquisa relataram já ter pensado seriamente em abandonar o ministério. As causas? Exaustão emocional, conflitos na liderança, falta de apoio da igreja e desequilíbrio familiar. A revista Ultimato e o Instituto Parákletos estimam que aproximadamente 70% dos pastores brasileiros lutam com sinais de burnout. A síndrome de burnout é um estado de extrema exaustão física, emocional e mental, devido ao estresse frequente relacionado ao trabalho.
Esses dados, por si sós, são alarmantes e demonstram que os membros das igrejas evangélicas no Brasil devem repensar suas posturas no relacionamento com seus pastores, permitindo que o Espírito Santo os cure do egoísmo, que age como uma doença crônica em muitos corações. Paulo aconselhou a igreja em Filipos da seguinte maneira: "Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas, humildemente, considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros" (Filipenses 2:3-4).
Estes dias tive a oportunidade de visitar e conversar com alguns pastores que acompanhamos por meio da mentoria pastoral. Confesso que fiquei preocupado e abalado com o estado de ânimo deles — marcados pela frustração, pelo desejo de desistir e por pensamentos sobre novos horizontes que não envolvam a carreira ministerial. Essa é uma dura realidade, cada vez mais profunda, que precisa ser discutida com amor e seriedade nos fóruns de pastores e líderes de ministérios.
Também é necessário empreender um processo de sensibilização das igrejas, pois, à medida que cresce o egoísmo — fruto da ausência de uma verdadeira conversão na vida de muitos frequentadores de igrejas evangélicas — a situação se torna ainda mais grave e desafiadora.
Alguns pastores me disseram: “Pela minha desmotivação, estou questionando Deus sobre o meu chamado. Diante da realidade que vivemos, tenho dúvidas se, de fato, estou dentro do propósito de Deus. Preciso cuidar da minha família com dignidade, mas não estou conseguindo, e isso me angustia profundamente.”
Todo esse contexto tem tornado a função de pastorear extremamente desgastante — um peso, um desafio que, por vezes, parece quase invencível.
7. A graça é suficiente para o pastor também
Não é incomum pessoas condenarem os pastores com crueldade, insensibilidade e falta de reconhecimento de que ele também é humano e, como humano que é, está como qualquer pessoa sujeito a erros e falhas. Davi era um homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22), entretanto cometeu pecados que dentro da visão de muitos na atualidade seriam imperdoáveis. Contudo em sua grande misericórdia Deus o perdoou depois dele haver reconhecido seu pecado e suplicado perdão (2 Samuel 12:13).
Paulo em sua luta contra o espinho na carne pediu ao Senhor para tirá-lo, tendo como resposta "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo". (2 Coríntios 12:9). É preciso entender que a graça que alcança as ovelhas também alcança o pastor, que também é ovelha.
Além disso, o pastor precisa reconhecer que é humano, que vai errar, chorar, duvidar, sofrer, frustrar-se, cansar - e tudo isso faz parte da sua caminhada de fé. Lembre-se que você é humano: nem anjo, nem máquina.
As ovelhas também precisam lembrar que o pastor precisa de oração, de respeito, de apoio e, acima de tudo, de compreensão e afeto.
Conclusão
O propósito deste artigo é promover uma reflexão junto à membresia das igrejas e também aos pastores. Ambos os lados precisam buscar equilíbrio na forma como encaram a questão. As ovelhas precisam compreender que os pastores são tão humanos quanto elas, e os pastores, por sua vez, também precisam se posicionar como os seres humanos normais que são.
A valorização do ministério pastoral, a partir do reconhecimento da humanidade do pastor no trato com as ovelhas, é parte desse processo, que exige de cada um atenção ao que nos ensina a Palavra de Deus. Devemos seguir o exemplo de Jesus (Filipenses 2:5-8) e de servos fiéis que são referência na convivência com seus líderes, como Epafrodito (Filipenses 2:25) e Onesíforo (2 Timóteo 1:16-18).
Que possamos valorizar o ministério pastoral sem desumanizar quem o exerce. Que o cuidado comece de dentro para fora. Que os vasos de barro continuem sendo usados por Deus, sustentados pela graça e servindo com o coração inteiro — ainda que, por vezes, cansados.
Amém. Excelente reflexão. Glória a Deus.
ResponderExcluirExcelente!!!!!!!!
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