A BÍBLIA E A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

 

Vamos começar nossa análise, sobre a "teologia da prosperidade" à luz da Bíblia com um texto bíblico:

"Contudo, assim como surgiram falsos profetas entre o povo de Israel, também surgirão falsos mestres entre vocês. Eles ensinarão astutamente heresias destrutivas e até negarão o Mestre que os resgatou, trazendo sobre si mesmos destruição repentina. Muitos seguirão a imoralidade vergonhosa desses mestres, e por causa deles o caminho da verdade será difamado. Em sua ganância, inventarão mentiras astutas para explorar vocês, mas eles já foram condenados há muito tempo, e sua destruição não tardará." (2 Pedro 2:1-3 - NVT - grifo nosso).

A advertência de Pedro aos hebreus cristãos espalhados pelo império romano, nunca fizeram tanto sentido como na atualidade. Falsos mestres, mais preocupados em usar a mensagem do Evangelho como meio para arrecadar dinheiro, explorando a ignorância das pessoas sobre a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada; o desconhecimento de Deus e; a carência emocional desta geração, sem nenhuma preocupação com o estrago que causam, tanto no equilíbrio das emoções das pessoas, quanto na vida espiritual dos seus seguidores. O texto bíblico diz que eles "[...] ensinarão astutamente heresias destrutivas" e "[...] muitos seguirão a imoralidade vergonhosa desses mestres, e por causa deles o caminho da verdade será difamado". O principal propósito dos defensores da "teologia da prosperidade" é apenas, e tão somente, o seu enriquecimento às custas dos incautos.

É justamente neste cenário de carência emocional da sociedade atual e busca insana de soluções para os seus problemas afetivos diários, financeiros e emocionais, que ganhou força este movimento teológico intitulado "teologia da prosperidade", uma vez que estas pessoas são presas fáceis e um campo fértil para os falsos mestres.

Este movimento tem sua gênese na filosofia do "pensamento positivo" surgido na segunda metade do século XIX, tendo como um dos precursores Phineas Quimby (1802-1866), um curandeiro, hipnólogo e filósofo do "novo pensamento" nos EUA. Ele defendia que a chave da saúde e do sucesso estava na mente, ensinando que a doença se desenvolve na mente do homem por falsas crenças, e que a cura poderia ser alcançada pela mudança de pensamento. Ele era um defensor do poder das palavras e do pensamento positivo, ensinando que as palavras e pensamentos tinham o poder de moldar a realidade. Esse conceito foi posteriormente absorvido pela "confissão positiva" e pela "teologia da prosperidade".

As ideias de Quimby, influenciaram o desenvolvimento do movimento do Novo Pensamento. Pregadores como Essek W. Kenyon e Kenneth Hagin, nomes que deram os primeiros passos para o surgimento da chamada "teologia da prosperidade", movimento que se iniciou na década de 1950, tendo ganhado força na década de 1970, nos EUA.

O movimento influenciou muitos pastores nos Estados Unidos e em todo o mundo, inclusive no Brasil. Dentre estes homens podemos citar Kenneth Copeland; Benny Hinn; David (Paul) Yonggi Cho; e, no Brasil, Edir Macedo Bezerra, Romildo Ribeiro Soares (RR Soares), Estevan Hernandes Filho.

O movimento da "teologia da prosperidade chegou no Brasil, em 1977, tendo como precursor o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Em suas pregações o bispo defendia o conceito da "semeadura financeira", dando ênfase à prosperidade, a cura e a libertação espiritual, afirmando que as doenças eram consequências da força do mal. Outro foco das suas mensagens era a guerra espiritual contra a força do mal, afirmando que a pobreza, as brigas familiares e as doenças eram resultado desta força. A mensagem tinha um forte apelo de soluções rápidas, por meio de "sacrifícios financeiros". É marca dos pregadores da IURD desafiar a Deus colocando-o contra a parede, usando termos apelativos e desafiadores, atraindo pessoas sofridas, com dificuldades financeiras e emocionalmente desestruturadas.

Logo o sucesso financeiro do líder da IURD chamou a atenção de outros líderes que, pensando apenas e tão somente no sucesso financeiro, aderiram aos conceitos da "teologia da prosperidade" fazendo com que o movimento ganhasse força no Brasil, trazendo à tona um novo movimento conhecido como "movimento neopentecostal". A grande maioria das igrejas neopentecostais, principalmente as grandes como a Igreja Internacional da Graça de Deus e Mundial do Poder de Deus, têm sua gênese na IURD e outras que não tem, foram atraídas pelo apelo do sucesso financeiro.

A "teologia da prosperidade", também conhecida como confissão positiva, palavra da fé, movimento da fé e, evangelho da saúde e da prosperidade, tem como pilares doutrinários, se é que podemos chamar de doutrina, o seguinte:

  1. Confissão Positiva - o que você declara com fé se torna realidade. Baseados em Provérbios 18:21, dizem que as palavras tem poder e que ao declarar bênçãos elas se tornam realidade. 
  2. Saúde e prosperidade é um direito do cristão - baseados em 3 João 1:2, dizem que Deus quer que todo crente seja rico e tenha saúde. As doenças e as dificuldades financeiras são um sintoma da falta de fé. Jesus morreu para salvar almas e garantir bênçãos financeiras e físicas.
  3. Lei da Semeadura e Colheita - quem dá recebe multiplicado. Quando ofertamos na igreja o retorno multiplicador de Deus é garantido, com base em Lucas 6:38 e Malaquias 3:10.
  4. A força da fé - as pessoas são encorajadas a ofertarem tomando posse da promessa de Jesus descrita em Marcos 11:24, que diz: "Digo-lhes que, se crerem que já receberam, qualquer coisa que pedirem em oração lhes será concedido".
  5. Você não precisa sofrer - doenças e pobreza são sintomas da falta de fé ou de maldições espirituais. O verdadeiro cristão não sofre doença, porque Jesus curou nossas feridas, baseado em Isaías 53:3. A cura e a prosperidade estão no poder das palavras.

Foi a partir deste movimento teórico que surgiu o movimento de igrejas denominadas "neopentecostais", pregando os princípios teóricos da "Confissão Positiva e da "Teologia da Prosperidade", usando texto bíblicos completamente fora de contexto, trazendo interpretações que não se sustentam quando submetidas a qualquer regra interpretativa da hermenêutica bíblica, trazendo para uma população desesperançosa e desconhecedora de Deus, mensagens apelativas de autoajuda emocional, de promessa de prosperidade financeira, de cura das suas doenças e de quebra das maldições hereditárias. Não é por acaso que, embora o movimento neopentecostal tenha surgido nos EUA, ganhou força na América Latina, Ásia e África, continentes onde estão os países com maiores índices de pobreza, com menores taxas de educação e IDH.

Não é antibíblico desejar prosperidade financeira e saúde, entretanto o problema da teologia da prosperidade é que ela desvia o foco do evangelho, deixando de lado o eterno e priorizando o terreno, da salvação da alma que perde sua importância para a cura do corpo e da solução de problemas efêmeros. A questão não está na prosperidade, mas no desvio do foco do Evangelho. A cura é parte do processo de salvação, não a salvação em si. Quando Jesus entregou aos seus discípulos a "grande comissão" disse: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.  Quem crer e for batizado será salvo [...] (Marcos 16:15-16). Os sinais, incluindo a cura, são consequências da salvação. Eles acompanharão os que crerem (Marcos 16:17-18).

Não cabe nas mensagens dos defensores da teologia da prosperidade as palavras de Jesus proferidas no sermão do monte. Vejamos o que ele disse:

"Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. 20 Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. 21 Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração [...] "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro. 25 "Portanto eu lhes digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? 26 Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? (Mateus 6:19-26 - ARA).

 Também não cabe o que disse Paulo a Timóteo:

6 No entanto, a devoção acompanhada de contentamento é, em si mesma, grande riqueza. 7. Afinal, não trouxemos nada conosco quando viemos ao mundo, e nada levaremos quando o deixarmos. 8 Portanto, se temos alimento e roupa, estejamos contentes. 9 Mas aqueles que desejam enriquecer caem em tentações e armadilhas e em muitos desejos tolos e nocivos, que os levam à ruína e destruição. 10 Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal. E alguns, por tanto desejarem dinheiro, desviaram-se da fé e afligiram a si mesmos com muitos sofrimentos. (1 Timóteo 6:6-10 - NVT).

A teologia da prosperidade está baseada em três grandes princípios:

1.  Autoridade Espiritual

Segundo K. Hagin, Deus tem dado autoridade (unção) a profetas nos dias atuais, como seus porta-vozes. Ele diz que "recebe revelações diretamente do Senhor"; "[...] Dou graças a Deus pela unção de profeta...Reconheço que se trata de uma unção diferente...é a mesma unção, multiplicada cerca de cem vezes" (Hagin, Compreendendo a Unção, p. 7).

2.  Bênçãos e Maldições da lei

K. Hagin diz, com base em Gálatas 3:13,14, que fomos libertos da maldição da lei, que são: pobreza; doença e morte espiritual. Ele toma emprestadas as maldições de Deuteronômio 28 contra os israelitas que pecassem. Segundo essa doutrina, o cristão tem direito a saúde e riqueza. Diante disso, doença e pobreza são maldições da lei. Eles ensinam que "todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta de doenças" e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente é porque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções. Pregam que Isaias 53:4,5 é algo absoluto. Fomos sarados e não existe mais doença para o crente. Os seguidores de Hagin enfatizam muito que o crente deve ter carro novo, casa nova própria, as melhores roupas, uma vida de luxo. Não cabe neste princípio o que Paulo disse aos cristãos na Galácia: 

A doença é vista como maldição. Talvez eles desconheçam o que Paulo disse aos cristãos na Galácia:

13 e certamente se lembram de que eu estava doente quando lhes anunciei as boas-novas pela primeira vez. 14 Embora minha saúde precária fosse uma tentação para me rejeitarem, vocês não me desprezaram nem me mandaram embora. Ao contrário, acolheram-me e cuidaram de mim como se eu fosse um anjo de Deus, ou mesmo o próprio Cristo Jesus. 15 Que aconteceu com a alegria que vocês demonstraram naquela ocasião? Estou certo de que, se fosse possível, teriam arrancado os próprios olhos e os teriam dado a mim. (Gálatas 4:13-15

3. Confissão Positiva

No terceiro princípio da teologia da prosperidade, está incluída a "fórmula da fé", que Hagin diz ter recebido diretamente de Jesus, que lhe apareceu e mandou escrever de 1 a 4, a "fórmula". Se alguém deseja receber algo do Senhor, basta seguir a formula:

1) "Diga a coisa" - "Positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. De acordo com o que o indivíduo quiser, ele receberá". Essa é a essência da confissão positiva. Portanto, o crente deve afirmar, declarar, para que aconteça.

2) "Faça a coisa" - "Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória. De acordo com sua ação, você será impedido ou receberá".

3) "Receba a coisa" - "Compete a nós a conexão com o dínamo do céu. A fé é o pino da tomada. Basta conectá-lo".

4) "Conte a coisa" - a fim de que outros também possam crer". Para fazer a "confissão positiva", o cristão dever usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino, reivindico, em lugar de dizer : peço, rogo, suplico; jamais dizer: "se for da tua vontade", pois isto destrói a fé.

A confissão positiva é uma deformação da fé cristã. Enquanto a fé de Abraão e de todos os heróis da fé nos leva a confiar no eterno, a teologia da confissão positiva, denominada pelos seus defensores de fé, leva o cristão a acreditar no terreno e passageiro. O escritor aos Hebreus, falando dos heróis da fé disse:

Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido. Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fossem eles aperfeiçoados (Hebreus 11:39-40  -NVT).

É muito comum ouvirmos mensagens incentivando-nos a sonhar e a acreditar nos sonhos. A Palavra de Deus nos incentiva a confiar nas promessas do Senhor. Há muitas canções que cantamos em nossas congregações que em suas letras defendem a ideia de acreditar nos sonhos, falando inclusive de sonhos de Deus. Sonhos todos nós temos, mas a nossa fé deve estar afirmada no Senhor e nas suas promessas, não em sonhos pessoais. Nem sempre os nossos sonhos estão alinhados com a vontade de Deus. Jesus disse que devemos orar dizendo: [...] Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Marcos 6:10 _ARF).

Também é antibíblico afirmar que Deus sonha. Em sua onisciência Ele conhece o passado, o presente e o futuro. Deus tem planos para as nossas vidas, não sonhos. Em sua soberania, seus planos certamente se concretizarão porque Ele é o Senhor da nossa vida e também da nossa história, tudo está sob seu controle (Lucas 21:18; Salmos 115:3). Jó disse: "Sei que podes fazer todas as coisas, e ninguém pode frustrar teus planos." (Jó 42:2 - NVT).

Outra grande bandeira das igrejas neopentecostais são os supostos milagres que acontecem diariamente aos milhares. Não duvidamos de que alguns milagres aconteçam. Entretanto é bíblico afirmar que nem todos os milagres são atribuídos ao Senhor Jesus. "João disse a Jesus: "Mestre, vimos alguém usar seu nome para expulsar demônios; nós o proibimos, pois ele não era do nosso grupo" (Lucas 9:49). Também não se pode atribuir ao Espírito Santo toda e qualquer revelação. Em Filipos havia uma moça que dizia a Paulo e seus companheiros todas as vezes que eles passavam por ela: "Estes homens são servos do Deus Altíssimo e lhes anunciam o caminho da salvação" (Atos 16:17). O que ela estava dizendo era verdade, mas a fonte da revelação não o era. Por isso Paulo tendo ficado indignado disse: "Em nome de Jesus Cristo eu lhe ordeno que saia dela! " (Atos 16:18). No mesmo instante saiu da moça um espírito de adivinhação e a partir daquele momento ela parou de fazer revelações. Em seu sermão profético Jesus disse: 

No dia do juízo, muitos me dirão: ‘Senhor! Senhor! Não profetizamos em teu nome, não expulsamos demônios em teu nome e não realizamos muitos milagres em teu nome?’.23 Eu, porém, responderei: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim, vocês que desobedecem à lei!’." (Mateus 25:22-23).

Outro fato a considerar é que o termo "milagre" vem do grego "Thauma" e significa "atos extraordinários de Deus". Se supostamente acontece diariamente milagres aos montes, como vemos nas reuniões das igrejas neopentecostais, já não se trata de um ato extraordinário, mas de algo corriqueiro, comum. Durante todo o seu ministério que durou três anos, Jesus realizou quarenta milagres. Milagres também eram operados pelos apóstolos e cristãos na igreja primitiva, mas não aconteciam aos montes. Milagres tem o propósito de manifestar o poder e a glória de Deus a fim de que os incrédulos creiam no Senhor e sejam salvos, não para serem utilizados como produto comercial que visa apenas, e tão somente, arrecadar dinheiro para encher as contas bancárias dos falsos mestres. Pedro disse que estes homens são gananciosos e inescrupulosos. Eles inventam histórias e fábulas. Eles "nunca param de pecar, iludem os instáveis e têm coração exercitado na ganância" (2 Pedro 2:14 - NVI). Difamar o evangelho com seus falsos milagres e prodígios não lhes traz nenhum remorso.
Não devemos crer em tudo o que vemos acontecer nas igrejas, supostamente, em nome de Jesus, existem homens e mulheres de Deus, mas também há muitos impostores e mercenários. Não é antibíblico esquadrinhar milagres, profecias e revelações para saber a sua origem. Nem todo milagre vem de Deus, também nem toda profecia ou revelação emana do Espírito Santo. O apóstolo João disse: "Amados, não acreditem em todo espírito, mas ponham-no à prova para ter a certeza de que o espírito vem de Deus, pois há muitos falsos profetas no mundo" (1 João 4:1 - NVT). Paulo disse: "Tratando-se de profetas, falem dois ou três, e os outros julguem cuidadosamente o que foi dito" (1 Coríntios 14:29 - NVI). Uma das marcas dos falsos profetas e mestres é que eles não aceitam serem submetidos a julgamento. Quando confrontados partem para ameaças, trazendo palavras de juízo contra quem está buscando saber qual a fonte de inspiração. Aquele que conhece a Jesus e a sua Palavra não se intimida com estas ameaças. Jesus disse:

"Tomem cuidado com falsos profetas que vêm disfarçados de ovelhas, mas que, na verdade, são lobos esfomeados. Vocês os identificarão por seus frutos. É possível colher uvas de espinheiros ou figos de ervas daninhas? Da mesma forma, a árvore boa produz frutos bons, e a árvore ruim produz frutos ruins" (Mateus 7:15-17).

Para os falsos mestres adeptos da "teologia da prosperidade", os templos são pontos comerciais de empresas que mercantilizam a fé. Grande parte do que se arrecada é revertido em benefício próprio com o fim de engordar o patrimônio desses líderes e bancar uma vida luxuosa, de carros importados caríssimos, jatinhos, helicópteros, iates e mansões muito luxuosas. A Bíblia diz que o obreiro é digno do seu salário (1 Timóteo 5:18), não do que se arrecada com apelos de sacrifícios financeiros e vendas de amuletos aos incautos na fé. Tais pessoas estão sendo exploradas, enganadas por não terem conhecimento da verdade, por não conhecerem a Jesus nem a sua Palavra (Oseias 4:6). Ao buscarem soluções imediatas para seus problemas afetivos, emocionais e financeiros, se tornam presas fáceis de mercenários exploradores e inescrupulosos.
A "teologia da prosperidade" não se sustenta à luz da Bíblia. Seus defensores usam textos isolados da Bíblia, sem qualquer critério interpretativo respeitando as regras da hermenêutica bíblica, para dar aparente fundamento bíblico às suas mensagens, sem se preocuparem com a verdade que emana do Evangelho. Pelo contrário, suas falas são mentirosas, cheias de corrupção, trazendo heresias destruidoras (2 Pedro 2:1). Esses homens e mulheres não creem na volta de Jesus (Apocalipse 22:12; Atos 1:11; 1 Tessalonicenses 4:13-18; etc.) e, muito menos no grande dia em que todos comparecerão diante do tribunal de Cristo (2 Coríntios 5:10; 1 Coríntios 3:11-15). Por isso pregar mentiras, revelações falsas e realizar milagres apócrifos não lhes causa nenhum remorso, e, neles não há nenhuma preocupação com o mau que causam a pessoas sedentas do verdadeiro Evangelho e desejosas de seguirem fielmente ao Deus criador do céu e da terra.
Não cabe nos princípios da "teologia da prosperidade" a fé de Abraão, que peregrinou na terra prometida junto com seus descendentes Isaque e Jacó como se estivessem em terra estranha (Hebreus 11:8-9), não hesitando em oferecer seu filho Isaque em sacrifício em obediência a Deus (Hebreus 11:17). Também não cabe a fé de Paulo, de Pedro, de João e de Estevão, que sofreram, foram perseguidos, martirizados e assassinados por causa da fé que defendiam (Hebreus 11:36-37). Muito menos de Elias, José, Daniel, Jeremias e de tantos homens e mulheres de Deus que foram perseguidos, assassinados. O escritor aos Hebreus disse que "Alguns morreram apedrejados, outros foram serrados ao meio, e outros ainda, mortos à espada. Alguns andavam vestidos com peles de ovelhas e cabras, necessitados, afligidos e maltratados" (Hebreus 11:37).
Que o Senhor guarde seu povo destes abutres, lobos vestidos de ovelhas, fontes sem água.  "Eles abandonaram o caminho reto e se desviaram, seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o salário da injustiça (2 Pedro 2:15). As advertências bíblicas sobre os falsos mestres são enfáticas (2 Timóteo 3:1-9; 4:1-5; 2 Pedro 2:1-22; Apocalipse 1:11-13; Mateus 24:4; etc.). A proliferação deles é um sinal do fim dos tempos (Mateus 24:11). Repito, estas advertências nunca fizeram tanto sentido como nos dias atuais. "Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas". (Apocalipse 2:17).

Pr. Gilvan de Sousa

@pr.gilvan.sousa





Comentários

  1. Amém ! Impressionante como os falsos e mestres e falsos cristãos sempre se desviam da responsabilidade que deveriam ter. Acusam uma " falta de fé " como sendo o motivo por adoecerem e ainda pior, achar que possuem algum direito para com o todo Poderoso. Fim dos tempos, de fato.

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