ADORADORES OU CLIENTES?

Com a expansão das igrejas neopentecostais nos Estados Unidos, América Latina e ultimamente no Brasil, se fortaleceu um novo conceito de igreja: as igrejas empresas cujos fundadores são os seus proprietários que cuidam deste novo modelo de negócios usando as mais modernas estratégias de gestão que rentabilizam ao máximo o empreendimento. O principal propósito destes empresários da fé é arrebanhar clientes, não adoradores, de preferência pessoas facilmente sugestionáveis aos apelos de ofertas e sacrifícios que eles colocam no seu portfólio do mercado da fé. Dentro deste mercado estão as grandes corporações internacionais, as chamadas "church's" e os pequenos negócios, conhecidos como igrejas das garagens, abertas por aqueles que buscam independência financeira lucrando com a fé e não possuem capital para investir num grande empreendimento. Os grandes empreendedores da fé, abrem igrejas que já nascem grandes, em grandes galpões comerciais, por conta do apelo de marketing profissional empreendidos por seus líderes.

Para estes pastores não interessa levar o evangelho com o objetivo de conduzir as pessoas a um encontro pessoal e verdadeiro com Cristo. Não vale a pena discipular pessoas para que elas se tornem adoradores verdadeiros de Cristo. O verdadeiro adorador não se deixa manipular facilmente porque ele tem relacionamento com Deus e conhece de fato a Jesus. O adorador está disposto a servir na causa do mestre se permitindo ser um ceifeiro na seara do mestre (Mateus 9:17). O verdadeiro adorador adora ao Pai em espírito e em verdade (João 4:24). As ovelhas de Cristo não seguem a mercenários, não se permitem manipular, não vai ao templo como cliente, ele vai servir a Jesus, não a falsos mestres. Eles conhecem a Bíblia, a Palavra de Deus e sabe que nela ele encontrará todas as respostas que necessitam e orientação para lidar com os seus problemas. O adorador não se deixa engodar com palavras lisonjeiras, se alimenta da Palavra de Deus, da sã doutrina. O adorador embora contribua financeiramente na igreja local, não é rentável para os mercenários. Ele não se ilude com falsas promessas e falsos milagres. Não consome amuletos, não oferta como sacrifício entregando a falsos mestres suas economias com base em promessas de que vai prosperar e enriquecer. O adorador entende a diferença em ser bem sucedido financeiramente e ser abençoado.

Adoradores são convencidos a servir, essa é a essência da adoração. Buscando o significado etimológico da palavra adorador a partir das línguas originais em que a Bíblia foi escrita, descobrimos que o termo se deriva do grego “latreia” que significa literalmente serviço, Há um outro termo grego “proskyneses” que traz a ideia de um ato de reverência e submissão. No hebraico adorar se origina do termo “avodah”, que também significa serviço, servir, trabalho. A adoração verdadeira é um ato de entrega, de nos ofertarmos ao Senhor para prestar-lhe um serviço voluntário que contribua com a expansão do seu reino na terra e com o engrandecimento do nome do Senhor (João 12:26; Atos 1:8; 11:20-21). 

Biblicamente fomos chamados para servir ao Senhor, aceitando seu senhorio sobre nossa vida. Jesus disse aos filhos de Zebedeu, “28 Pois nem mesmo o Filho do Homem veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos". (Mateus 20:28). O termo servo se origina do grego “doulos” e significa literalmente “escravo”, “alguém que se rende à vontade de outro”;  aquele cujo serviço é aceito por Cristo para estender e avançar a sua causa entre os homens”.

Embora a verdade nos liberta, o Senhor nos chama para voluntariamente servi-lo. Na lei de Moisés temos como norma que entre os hebreus, alguém que comprasse um escravo, deveria libertá-lo no sétimo ano. Ele serviria ao seu senhor por seis anos  (Êxodo 21:1-6)

1 "Estes são os decretos que você apresentará a Israel: 2 "Se você comprar um escravo hebreu, ele não poderá servi-lo por mais de seis anos. Liberte-o no sétimo ano, e ele nada lhe deverá pela liberdade. 3 Se ele era solteiro quando se tornou seu escravo, partirá solteiro. Mas, se era casado antes de se tornar seu escravo, a esposa deverá ser liberta com ele. 4 "Se seu senhor lhe deu uma mulher em casamento enquanto ele era escravo, e se o casal teve filhos e filhas, somente o homem será liberto no sétimo ano. A mulher e os filhos continuarão a pertencer ao senhor. 5 O escravo, contudo, poderá declarar: ‘Amo meu senhor, minha esposa e meus filhos. Não desejo ser liberto’.

Esse escravo era chamado de “o servo da orelha furada” , denominando que ele era escravo por livre vontade, por amar a seu senhor. É esse tipo de servo que o Senhor está buscando para servir no seu reino (Mateus 11:28-30).

28 "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.29 Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve".

Fomos convidados por Jesus a trocar uma carga pesada por um jugo suave, mas andando sempre ao lado de dele, submetendo-nos à sua vontade, não impondo a nossa. O jugo de Jesus é suave e leve, mas é preciso que aceitemos a tomá-lo sobre nossos ombros. Isso requer comprometimento, submissão, sujeição, caminhada junto aprendendo com Ele com mansidão e humildade. O alívio para as dores e sofrimentos das nossas almas não está nos serviços que a igreja oferece, nem nas palestras de autoajuda e positivismo, mas na forma como estamos dispostos a adorar a Deus.  “Prestem culto ao Senhor com alegria; entrem na sua presença com cânticos alegres” (Salmos 100:2)

A geração do “fast food”, do “delivery” está buscando igrejas não para servir a Deus, mas para serem servidos por Ele. Estes supostos cristãos, querem apenas frequentar os cultos quando bem lhe convier, ouvir uma boa música, uma mensagem que massageie o seu ego ou lhe proporciona palavras de autoajuda, que tenha um pastor que seja um bom relações públicas e um excelente comunicador, e que também o ambiente seja o mais confortável possível. Compromisso com Deus, com a verdadeira adoração, com a evangelização, com o reino de Deus não lhes interessa, não é o que eles buscam. Deixemos claro que o Senhor não está buscando frequentadores de igreja fantasiados de cristãos, Ele busca verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade (João 4:23-24).

São os clientes e não os verdadeiros adoradores que estão dispostos a pagarem pelas bênçãos, a fazerem sacrifícios financeiros em campanhas que prometem prosperidade, sucesso, família feliz, cura de enfermidades e solução para almas deprimidas, desesperançosas. São os clientes que compram amuletos, como água ungida, óleo ungido, lenço ungido, folhas das figueiras de Israel, fragmento de pedras do monte das oliveiras e tantos outros amuletos falsos e desprovidos de qualquer serventia ou poder. São os clientes que bancam as mordomias dos empresários evangélicos da fé, que sem o menor escrúpulo exibem seus jatinhos, mansões no exterior, carros de luxo, etc, dizendo ser o resultado da prosperidade proporcionada por Deus, quando na verdade é resultado da extorsão contra aqueles que não conhecem Jesus nem sua Palavra (2 Pedro 2:2-3). São os clientes e não os adoradores que pagam por supostas orações nos montes Sinai, das Oliveiras e outros.  Parece que voltamos ao século XVI, quando os cristãos católicos compravam indulgências por valores exorbitantes para garantir a sua salvação e de seus familiares vivos ou mortos. Foi justamente por causa deste mercado inescrupuloso que Martinho Lutero publicou as noventa e cinco teses na porta da catedral de Wittenberg, na Alemanha, em 31 de outubro de 1517. Foi justamente o comércio extorsivo daquilo que o Senhor Jesus pagou na cruz e nos oferece pela graça que Lutero rompeu com o clero romano e deu o pontapé inicial da reforma protestante.

Na época os discursos dos bispos e cardeais católicos, para uma nuvem de fieis biblicamente analfabetos, eram inflamados o suficiente para convencer os que não conheciam Deus nem a sua Palavra. Eles não sabiam que a salvação era pela graça (Romanos 5:17-20; Efésios 2:8). O clero católico escondeu propositalmente essa verdade para alcançarem seus objetivos financeiros inescrupulosos. Era por pura ignorância que os católicos da época pagavam fortuna por um certificado de salvação que não valia absolutamente nada. Pergunto, que diferença há do cenário do início do século XVI para o início do século XXI? Honestamente nenhum. Hoje não são os cardeais e bispos católicos que vendem indulgências, são os bispos e pastores evangélicos, os quais os chamo mais apropriadamente de falsos mestres e mercenários, empresários do mercado da fé, que aproveitando-se do analfabetismo bíblico das pessoas e do desconhecimento total do amor de Deus e do poder do sacrifício de Jesus na cruz, que eles cobram, muitas vezes valores exorbitantes, por falsas promessas de bênçãos e falsos milagres. Que diferença há do mercado de indulgências? nenhuma. Mudou apenas o produto e a estratégia de venda. Além das falsas promessas de bênçãos, cobrança por orações, sacrifícios e mentoria pastoral compõem o portfólio comercial. Há ainda o lucrativo mercado de amuletos em muitas dessas "falsas igrejas". Vende-se de tudo, os fins justificam os meios.

Para convencer os espiritualmente empobrecidos, estes falsos mestres usam técnicas de oratória quase infalíveis, aprendidas nos cursos de coach e treinamentos de comunicação disponíveis no mercado. São pessoas qualificadas como comunicadores, mas desprovidos da unção do Espírito Santo, de uma vida de oração, santificação, verdadeira devoção a Deus e de princípios básicos da hermenêutica bíblica. Nada contra a busca pela capacitação técnica, mas sem a capacitação vinda do Espírito Santo para nada serve (Romanos 1:18-21). Para dar credibilidade às suas palestras, eles as introduzem trazendo textos bíblicos fora de contexto, usados apenas como pretexto, capazes de tocar profundamente pessoas emocionalmente desajustadas, isto porque as mensagens que eles abordam questões que as massas de desesperançosos desejam ouvir. São frases ou discursos de efeito, buscando melhorar a autoestima dos espiritualmente empobrecidos e emocionalmente abatidos, mas vazios do que nos ensina a Palavra de Deus, do conteúdo do evangelho genuíno, do plano divino de salvação para a humanidade, da mensagem da cruz.

O desejo de soluções imediatas para suas inquietações e carência emocional, aliada à falta de compromisso com Deus e com a sua Palavra é um campo muito fértil para esses falsos mestres. Se cumpre o que o apóstolo Paulo disse a Timóteo:

3 Pois virá o tempo em que as pessoas já não escutarão o ensino verdadeiro. Seguirão os próprios desejos e buscarão mestres que lhes digam apenas aquilo que agrada seus ouvidos.4 Rejeitarão a verdade e correrão atrás de mitos (2 Timóteo 4:3-4).

Sobre os falsos mestres, que não possuem o menor escrúpulo, e não estão nem um pouco preocupados com a salvação das almas, nem com a pregação do evangelho, que conduz as pessoas a se libertarem da escravidão do pecado e a caminharem na perspectiva da vida com o Senhor na eternidade, a Bíblia diz:

1 Contudo, assim como surgiram falsos profetas entre o povo de Israel, também surgirão falsos mestres entre vocês. Eles ensinarão astutamente heresias destrutivas e até negarão o Mestre que os resgatou, trazendo sobre si mesmos destruição repentina.2 Muitos seguirão a imoralidade vergonhosa desses mestres, e por causa deles o caminho da verdade será difamado.3 Em sua ganância, inventarão mentiras astutas para explorar vocês, mas eles já foram condenados há muito tempo, e sua destruição não tardará.[...] 12 Os falsos mestres são como criaturas irracionais movidas pelo instinto, que nascem para apanhar e morrer. Nada sabem sobre aqueles a quem insultam e, como animais, serão destruídos por sua própria corrupção.13 Praticam o mal e receberão o mal como recompensa. Gostam de se entregar à imoralidade em plena luz do dia. São uma vergonha e uma mancha no meio de vocês, sentindo prazer em enganá-los enquanto participam de suas refeições.14 Cometem adultério com os olhos e abrigam um desejo insaciável de pecar. Seduzem os instáveis e são bem treinados na ganância. (2 Pedro 2:1-3;12-14)

Na atualidade, na visão dos que buscam a igreja como clientes, ela deve funcionar como uma empresa de prestação de serviços com tecnologia de ponta, precisa ter uma boa estrutura de marketing, produtos de qualidade para pronta entrega, produtos estes que massageiam o ego dos frequentadores, que traz palavras positivistas, que faz promessa de prosperidade financeira, que lhe apresente a receita de uma família feliz, que traga palestras que ensinam a gerenciar negócios, empreendimentos, que mostre o caminho para o sucesso, mas que não falam de salvação da alma, de arrebatamento da igreja, da volta de Jesus, da necessidade de vivermos em santificação e de cultivarmos uma vida de fé, aquela fé demonstrada por Abraão, que simplesmente creu e obedeceu. Abraão tinha uma fé incondicional e também demonstrou fidelidade incondicional a Deus. São mensagens que conduza às pessoas a viverem a essência do evangelho que os pastores das igrejas empresas se esquivam de pregar, justamente por estar acontecendo o que Paulo disse a Timóteo: “ Pois virá o tempo em que as pessoas já não escutarão o ensino verdadeiro. Seguirão os próprios desejos e buscarão mestres que lhes digam apenas aquilo que agrada seus ouvidos. 4 Rejeitarão a verdade e correrão atrás de mitos” (2 Timóteo 4:3-4). Pregar o verdadeiro evangelho trará aos empresários da fé o risco da perda de muitos clientes, e isso não os interessa.

Estamos acompanhando nas mídias e redes sociais uma discussão atual, onde empresários evangélicos da fé estão construindo lounge's nos templos. O argumento destes "pastores" é que a igreja está recebendo pessoas públicas que não podem estar no meio de pessoas comuns. Estas áreas vip's além de oferecer exclusividade, oferecem conforto diferenciado e outros mimos a aqueles que são os privilegiados social e financeiramente, exatamente nos mesmos moldes das casas de espetáculos, aeroportos, teatros etc. O propósito é oferecer atendimento exclusivo para “clientes também exclusivos”. No céu não há área vip. Jesus disse aos discípulos que buscavam privilégio.  "Quem quiser ser o primeiro, que se torne o último e seja servo de todos" (Marcos 9:35). O sábio Salomão escreveu no livro de Eclesiastes: “15 Todos nós chegamos ao fim da vida nus e de mãos vazias, como no dia em que nascemos. Não levamos conosco o fruto de nosso trabalho.” (Eclesiastes 5:15). Tais pastores desconhecem ou ignoram o exemplo de Jesus descrito em Filipenses 2:1-11. Privilégio e exclusividade na igreja não se coadunam com a mensagem do Evangelho de Jesus. Vejamos o que Tiago diz sobre esse assunto:

Meus irmãos, como podem afirmar que têm fé em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo se mostram favorecimento a algumas pessoas? Se, por exemplo, alguém chegar a uma de suas reuniões vestido com roupas elegantes e usando joias caras, e também entrar um pobre com roupas sujas, e vocês derem atenção ao que está bem vestido, dizendo-lhe: "Sente-se aqui neste lugar especial" mas disserem ao pobre: Fique em pé ali ou sente-se aqui no chão", essa discriminação não mostrará que agem como juizes guiados por motivos perversos? Ouçam, meus amados irmãos: não foi Deus que escolheu os pobres deste mundo para serem ricos na fé? Não são eles os herdeiros do reino prometido àqueles que o amam? Mas vocês desprezam os pobres! Não são os ricos que oprimem vocês e os arrastam aos tribunais? Não são eles que difamam aquele cujo nome honroso vocês carregam? Sem dúvida vocês fazem bem quando obedecem à lei do reino conforme dizem as Escrituras: Ame seu próximo como a si mesmo". Mas, se mostram favorecimento a algumas pessoas, cometem pecado e são culpados de transgredir a lei. (Tiago 2:1-9).

Esse tipo de igreja que está sendo buscada cada vez mais por um maior número de pessoas, principalmente no período pós-pandemia, colide com a perspectiva de Jesus. Quando Jesus chamou os seus primeiros discípulos Ele disse: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de gente" (Mateus 4:19). Vejamos qual era a perspectiva de Paulo, na sua caminhada cristã (1 Coríntios 9:16-19).

16 Contudo, quando prego o evangelho, não posso me orgulhar, pois me é imposta a necessidade de pregar. Ai de mim se não pregar o evangelho! 17 Porque, se prego de livre vontade, tenho recompensa; contudo, como prego por obrigação, estou simplesmente cumprindo uma incumbência a mim confiada. 18 Qual é, pois, a minha recompensa? Apenas esta: que, pregando o evangelho, eu o apresente gratuitamente, não usando, assim, dos meus direitos ao pregá-lo. 19 Porque, embora seja livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas.

Esta não é uma mensagem para os líderes, mas para todos os cristãos. A "grande comissão" é para todos (Mateus 28:19-20). O Senhor está buscando servos da orelha furada, que o sirvam com amor, com voluntariedade, sem exigir nada, pelo contrário, disposto a entregar, a servir, a integrar o exército de ceifeiros dispostos a colher os frutos da vinha (Mateus 9:37-38) .  

A expressão "servo da orelha furada" tem origem na Bíblia, especificamente no Antigo Testamento. De acordo com a lei mosaica, quando uma pessoa comprava um escravo ele teria que libertá-lo após seis anos de serviço. No entanto, se o servo decidisse voluntariamente permanecer com seu senhor, ele poderia se tornar um servo permanente. O ritual para isso envolvia furar a orelha do servo com uma sovela (instrumento perfurante) na porta da casa do seu senhor, simbolizando sua decisão de servir por toda a vida. Essa prática é descrita em Êxodo 21:5-6 e Deuteronômio 15:16-17. A orelha furada era um sinal de lealdade e compromisso voluntário do servo para com seu senhor.

São as igrejas empresas que engordam as estatísticas dos desigrejados. Muitas pessoas, depois de se sentirem lesados, enganados, perdem a fé, se revoltam com a igreja, não sabendo eles que não foi a igreja de Cristo que os enganou, mas os falsos mestres, travestidos de pastores, bispos e apóstolos que não passam de mercenários charlatões. Com isso se cumpre o que disse Jesus aos seus discípulos, “[...] quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra? " (Lucas 18;8). Sobre estes empresários, falsos mestres, travestidos de pastores, Judas, o irmão do Senhor disse: 

12 Quando esses indivíduos, sem o menor constrangimento, participam de suas refeições de celebração ao amor do Senhor, são como perigosos recifes que podem fazê-los naufragar. Sim, são como pastores que só se preocupam consigo mesmos, como nuvens que passam sobre a terra sem dar chuva, como árvores no outono, duplamente mortas porque não dão frutos e foram arrancadas pelas raízes. 13 São como ondas violentas no mar, espalhando a espuma de seus atos vergonhosos, como estrelas sem rumo, condenadas para sempre à mais profunda escuridão (Judas 1:12-13).

Na perspectiva da igreja empresa, o significado de igreja (gr. ekklesia) muda completamente. Também muda o conceito de congregar, conceito este praticado com empenho pela igreja primitiva (Atos 2:42-47). A igreja é o corpo místico de Cristo (Romanos 12:4-5). O corpo é indivisível e interdependente.

14 O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos. 15 Se o pé disser: "Porque não sou mão, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo. 16 E se o ouvido disser: "Porque não sou olho, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo. 17 Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição? Se todo o corpo fosse ouvido, onde estaria o olfato? 18 De fato, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade. 19 Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? 20 Assim, há muitos membros, mas um só corpo. (1 Coríntios 12:14-19).

Como explicar o conceito de congregação se os participantes do culto estão segregados por classe social? Podemos chamar isso de reunião ou de comunhão? Como explicar a interdependência dentro da perspectiva do que a Bíblia diz. Se o corpo é um conjunto de membros e órgãos indivisíveis e interrelacionados, como explicar que os membros da igreja não conseguem cultuar a Deus no mesmo ambiente, necessitando de um espaço exclusivo? Exclusividade na igreja não se coaduna com o verdadeiro cristianismo. O verdadeiro cristão é aquele que pode ser chamado de pequeno Cristo, como aconteceu com os cristãos da igreja em Antioquia (Atos 11:26). O termo cristão significa exatamente isso, pequeno Cristo. Cristo pregou a igualdade, a humildade, a comunhão, o compartilhamento. Os cristãos da igreja primitiva estavam sempre juntos e tinham tudo em comum (Atos 2:44).

A expansão das igrejas empresas evidenciam que a igreja evangélica está vivendo os dias da igreja de Sardes. O diagnóstico de Jesus foi claro: a igreja tinha fama de que estava viva, mas na verdade estava morta (Apocalipse 3:1-4). É exatamente o que está acontecendo na atualidade com a igreja evangélica no Brasil.

Amados, o Senhor está buscando verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade (João 4:23-24). Há uma gritante diferença entre ser frequentador de igreja e cristão que seja visto como pequeno Cristo, como eram os servos de Deus que serviam na igreja de Antioquia. Seguir estes falsos mestres é se dispor a naufragar junto com eles e a caminhar para o inferno. Os verdadeiros adoradores seguem a Cristo com compromisso com Ele, obedecendo a sua Palavra, buscando crescer em santificação e se preparando para o dia do arrebatamento da igreja. Jesus disse: "Eis que venho em breve! A minha recompensa está comigo, e eu retribuirei a cada um de acordo com o que fez. (Apocalipse 22:12). Somente participarão do arrebatamento da igreja os verdadeiros adoradores, os clientes de igrejas ficarão de fora (Apocalipse 22:15). “Quem tem ouvidos para ouvir ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 2:7,11,17, 28; 3:6,13 e 22).

Pr. Gilvan de Sousa

@pr.gilvan.sousa


Comentários

  1. Exatamente isso. Grande da parte da igreja evangélica brasileira faz pouco caso dos motivos pelos quais a Reforma foi necessária e principalmente das palavras e ensinos de Jesus quando buscam " igrejas " como essa citadas no artigo.

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